Coimbra  24 de Outubro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Américo Baptista dos Santos

Dia do Antigo Estudante de Coimbra: Ponto de vista para proposta de unidade (XVII)

17 de Setembro 2021

Antes de dar a palavra a Luis Parreirão – 1983/1984, uma palavra a Jorge Sampaio. Nenhum homem é Deus, seja Deus para crentes ou deus para agnosticistas no seu melhor, ou seja, para aqueles segundo os quais o espírito humano ainda se encontra impossibilitado de alcançar um conhecimento absoluto sobre a origem da vida e que não são ateus, graças a Deus.

Jorge Sampaio, apesar de pertencer à Academia de Lisboa, era um dos nossos, como sócio honorário da Associação dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra.

Por isso, o minuto de silêncio comandado pelo Manuel Rebanda, na noite do dia 10 do corrente, não foi um acto formal. Foi o sentir da partida de um de nós. Na imensa pluralidade de pensamentos e opções, mas FRATELLI TUTTI. Não ouso publicar os testemunhos, mas permito-me recordações como: dirigir-se ao Melo, segredando-lhe ao ouvido, que quando fosse “grande queria cantar como ele”. No convite ao Coro para o acompanhar, quando tinha perto de si oficiais do mesmo ofício. Na aceitação do cheque para ajuda aos refugiados. No dia em que, em frente ao Instituto Jurídico, teve um quase-não-gesto, tão pequeno que enorme. Jorge Sampaio falava com um grupo de gente muito ilustre. No meio deles estava um humilde cidadão. Por essa condição mantinha-se meio passo atrás. Sampaio, sem dizer nada, alargou um pouco o círculo e todos ficaram equidistantes. Simples e tão inútil como as coisas mais belas do mundo, que só acontecem com Pessoas capazes de criar circunstâncias sublimes.

Desculpa, caro Luís, dou-te a palavra: “Cada geração tem a sua Batilha para tomar. Em 1789, a afirmação da trilogia Liberdade, Igualdade, Fraternidade, tão actual como acaba de ser evidenciado pela última encíclica Fratelli Tutti, a par da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão fundaram o estado de direito em que, 250 anos depois, ainda vivemos.

Em 1920, os nossos colegas de então entenderam que a AAC precisava de se afirmar e de ter instalações e conseguiram-no.”

Meu caro Ricardo Roque a tua intervenção fica para a próxima semana. Sei que não me levas a mal, pois concordarás que a causa é justa.

(*) Ex-Presidente da AAEC