Coimbra  20 de Setembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Américo Baptista dos Santos

Dia do Antigo Estudante de Coimbra: Ponto de vista para proposta de unidade (XV)

3 de Setembro 2021

Como o prometido é devido, eis o que foi dito por aqueles que anunciámos na última crónica.

Como se lembrarão, os antigos Presidentes da Associação Académica vieram a ocupar lugares de muito relevo nas hierarquias do Estado e da sociedade em geral, razão pela qual não nos referiremos a esses cargos, mas tão só àqueles que motiva a referência ao texto, melhor dizendo, fragmento de texto. Essas citações são opiniões autorizadas, que só por si nos convidam a uma consideração atenta para melhor conhecer os factos e as suas implicações futuras, não só a nível académico como sócio-político.

Comecemos por José Manuel Cardoso da Costa – 1959/1960: “Pede-me a AAECL que me associe o número especial de capa e batina comemorativo do centenário da Tomada da Bastilha. Como havia de recusar? Como havia de recusar – quando de trata de uma efeméride tão simbólica para a academia coimbrã e de uma data que nos convoca e congrega a todos?”.

Escreve Francisco Leal Paiva – 1961/1962 e Galifão – 1958/1962 “…o Dia do Estudante comemorava-se desde 1951 por consenso das três academias no dia 25 de Novembro denominado Tomada da Bastilha desde 1921 para festejar o assalto ao Clube dos Lentes que se tinham apropriado da Associação dos Estudantes. O MUD juvenil já em 1947 tinha proposto uma data entre 21 e 28 de Março. Como reacção ao dec. 40900 o Dia do Antigo Estudante realizou-se de 17 a 19 de Abril de 1957 em Lisboa com a participação do CITAC.

A Tomada da Bastilha de 1961 ocasionou a prisão do Dux Veteranorum e mais 15 estudantes membros do Conselho de Veteranos signatários do “decreto”.

No intenso intercâmbio com as academias de Lisboa e Porto, organizámos em Coimbra o primeiro Encontro Nacional de Estudantes de 9 a 11 de Março de 1962, que mereceu um despacho de proibição do Ministro da Educação Nacional, veiculado através da PSP que não acatámos. Como o Ministro da EN recusa receber a Direcção da AEEC, a Assembleia Magna delibera realizar uma manifestação de protesto na inauguração do edifício da Biblioteca da UC em 13 de Março na presença do Ministro da EN. Perante a proibição do Dia do Estudante em Lisboa de 24 de Março, a Assembleia Magna decreta luto académico e ausência às aulas. Em 9 de Abril, o Senado Universitário inicia um processo disciplinar aos membros da Direcção da AAC e a outros estudantes e ao mesmo tempo é instaurado um processo-crime por não acatamento da proibição…”

Não nos é possível no curto espaço desta crónica dar mais tempo de escrita ao antigo presidente Leal Paiva. Diremos apenas que refere em seguida a suspensão da Direcção, a nomeação da Comissão Administrativa e a resposta dos Estudantes com a suspensão da actividade das suas 38 secções, incluindo a da equipa de futebol, a disputar a Primeira Divisão. Igual medida foi tomada pelo TEUC, CITAC e TUNA e a não realização da QUEIMA das FITAS com início em 11 de Maio.

A densidade dos factos relatados: a barricada ao Palácio dos Grilos, a intimação da PSP, a intervenção do Sr. Chico, as penas disciplinares, os 6 meses de suspensão a 34 estudantes (incluindo os 7 membros da Direcção) com 2 anos de exclusão de todas as escolas nacionais, o processo-crime e a reacção de Miguel Torga são assunto para crónica diversa e contexto distinto e em outra abordagem, que serão feitas a seu tempo.

Tivemos o cuidado de juntar as aspas ao itálico para que não fiquem dúvidas da atribuição de méritos. Sempre assim tentámos fazer ao longo da vida.

Ex-Presidente da AAEC