Coimbra  24 de Outubro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Américo Baptista dos Santos

Dia do Antigo Estudante de Coimbra: Ponto de vista para proposta de unidade (XIX)

30 de Setembro 2021

Palavra dos Antigos Presidentes (continuação)

Diogo Portugal – 1985/1986 “…A nossa Tomada da Bastilha foi a defesa de uma causa maior – a Associação Académica de Coimbra, os estudantes da Academia e a Universidade”…

Paulo Barreto- 1986 “… Enfim, não foram bastilhas de grande visibilidade mediática, mas sobejou espírito académico e sobretudo muita vontade de estar próximo dos estudantes. O importante era garantir que a AAC e toda a academia de Coimbra continuavam – como continuaram – a ser a referência das academias do País, pela sua capacidade de luta e pelas suas tradições e história, sendo simultaneamente grande e ímpar polo cultural e desportivo, sem deixar nunca de ser uma associação de estudantes do ensino superior”.

Expressões como “A nossa Tomada da Bastilha” e “não foram bastilhas de grande visibilidade” fazem parte da resolução do problema. Porquê? Porque nos remetem à origem “das coisas”. Clarificando-se as origens, clarificam-se necessariamente as descendências. Todas! Sejam quais forem as hierarquias.

Em Coimbra, não é fácil perceber porque é que os seus políticos hão de entender que a cidade não tem arcaboiço para ombrear com Lisboa, Porto, Ponta Delgada e Funchal ao nível da produção mediática.

Santa Cruz é Panteão Nacional (embora desprezado por se situar em Coimbra). Nele repousam os restos mortais dos primeiros Reis de Portugal, do fundador da Nacionalidade. Aqui, repousam as memórias dos grandes intelectuais, sem os quais não existiriam PALOP’ S. Daqui partiu Fernando de Bulhões para o Monte Santo Antão, onde se fez Santo António. Muitos aquis poderíamos acrescentar, bastaria para isso que recordássemos a extraordinária homilia do Sr. Bispo das Forças Armadas, quando o Exército aqui veio comemorar o seu dia. E bem. Junto do seu primeiro soldado, que, ou eu me engano muito, ou por estas bandas terá sido dado à luz por sua mãe Teresa.

O nosso Panteão Nacional, o da figura suprema, foi inundado. Nesse dia, a notícia foi que uma tampa de saneamento tinha rebentado e um passeio tinha sido inundado, junto à fonte da notícia. O que é Santa Cruz de Coimbra ao pé de um passeio inundado à porta do centro da produção noticiosa?

Daí a minha enorme tristeza por ver a forma como não foi tratado o projecto que apresentámos 730TV. Não tinha de ser aquilo. Era apenas o caminho. O levantar do pé de traz para o por à frente. Como o fez o Porto, Ponta Delgada e Funchal. Dir-se-á que faltava alguma coisa. É verdade. Mas não faltava o parecer do Presidente do Clube da Comunicação Social de Coimbra, do Coimbra Canal e os pedidos de parecer em trânsito, quando mataram o sonho.

Não tinha, é certo, o parecer do conquistador, mas quando me abeirei do seu leito eterno, ele disse-me: “Fala baixo homem! Pois há gente que se ouvir o teu sonho o transformará em realidade. Mas lá. Não aqui. Gente agachada não bate com a cabeça no teto e por isso dificilmente acordará”.

(*) Ex-Presidente da AAEC em Coimbra