Coimbra  20 de Setembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Américo Baptista dos Santos

Dia do Antigo Estudante de Coimbra: Ponto de vista para proposta de unidade (XII)

23 de Julho 2021

A crónica de hoje bem podia chamar-se “o azar histórico dos américos”. Não no sentido da falta de sorte, desgraça ou infelicidade. Também não da flor da laranjeira ou da nota de 1 000 Ormuz mas mais em queda para a etimologia, isto é, dar azo, causar. Achei piada e estava até a em pedir ao facebook que interditasse o meu acusador em horas ou dias de suspensão. Por muito mais o fizeram ao autor das “Memórias da Guerra Colonial” edição de 2021. A pergunta astuciosa de quantas tomadas da bastilha houve não merecia melhor do que um pedido de aclaração: Onde? Em França? Em Portugal? No mundo? Em Coimbra? Quando? Quem? Como? Porquê? Para quê? …

Começo mesmo a admitir a hipótese, de lá no Consílio dos Deuses, alguém já ter requerido a Júpiter o agendamento do debate, agora com o título de Segunda Questão Coimbrã, mais de século e meio depois. E que abertas as inscrições, apareçam de um lado o António Feliciano de Castilho e do outro Antero de Quental, Teófilo Braga e Vieira de Castro. Mas para voltar à nova geração de 70, ainda teremos de esperar quase meio século. Vaidades à parte, já temos mais Bom Senso e Bom Gosto e preferimos ao passado combate entre Romantismo e Realismo a futura versão de Naturalismo; aqui menos literária e mais política.

Qualquer movimento significativo para ter importância decisiva na história de uma pessoa, de uma instituição ou de um lugar, tem de ser suportada por um ideal, um princípio ou intenção maior do que si próprio; basear-se num sentimento critico e representar uma aspiração com dignidade.

Essa parte superior e imaterial é aquilo a que chamamos o espírito da ação. O espírito da Tomada da Bastilha é-nos descrito pelo Zé Veloso, de tal forma, que de lá respigamos alguns lances. Diz ele: “O 25 de Novembro de 1920 foi mais que um simples assalto a um edifício… Foi um grito de revolta… Arrastou consigo a libertação da própria academia. Por isso a Tomada do Instituto foi depois, simbolicamente apelidada Tomada da Bastilha – remetendo para o imaginário da Revolução Francesa… Foi um ato de coragem que se arriscou a pesadas penas, como ser riscado da universidade…

Termina dizendo: Foi esse espírito que passou de geração em geração. O espírito da Tomada da Bastilha! É por ele que ainda hoje importa celebrá-la.

Acrescentamos nós: Mais do que nunca!

(*) Ex-Presidente da AAEC