Coimbra  24 de Outubro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Américo Baptista dos Santos

Dia do Antigo Estudante de Coimbra: Ponto de vista para proposta de unidade (XI)

16 de Julho 2021

Não beneficiamos da contemporaneidade relativamente aos factos, pois a Tomada da Bastilha ocorreu em 25 de Novembro de 1920. Mesmo que fossemos, se não pertencessemos ao restrito grupo dos 40 conjurados, não seria provável estar lá às 06:45. Só quando o estrondo do morteiro chegasse a Ceira aquele povo estaria a par da revolução estudantil. Daí que se torne inevitável o recurso às fontes, das quais vamos dando nota ao longo das crónicas. Deparamos com alguma dificuldade de as enquadrar em textos necessariamente pequenos. Mais ainda em situações de continuidade. É preso por ter cão e preso por não ter cão.

Veio em nosso auxílio o pedido de uma leitora para autorizar à sua colecionação e futura publicação. A indicação bibliográfica e as notas de rodapé serão a forma de suprimento, evitando as constantes quebras de unidade narrativa, o que hoje é inevitável, perante a pergunta que nos é formulada: Qual foi a posição dos Reitor? Procurámos uma resposta que fosse directa ao assunto. Não é fácil. Há que ter em conta a estrutura da Universidade, diferente de hoje, desde logo (mas não só) pela existência da Junta Administrativa. Coligimos elementos, cujo tratamento não é tão imediato como gostaríamos, já que precisamos de um “intermediário” mais competente que nós, a quem fazemos a concessão dos dados. A competência e a disponibilidade não são pertença de todos. Já temos, porém, uma primeira resposta a esta pergunta.

O Reitor, Filomeno da Câmara Melo Cabral, foi uma peça importantíssima para a consolidação do golpe. Os revoltosos já contariam com a sua benevolência, pois era pessoa que granjeava o carinho da Academia. Quer na reunião da Junta Administrativa, por si convocada, com a presença do Presidente da Associação Académica, quer nos contactos feitos com o governo, através do Ministro da Instrução, o homem foi de uma compreensão sem limites. Foi preciso muita diplomacia para reunir AAC, o Instituto e a Universidade, em tempo tão escasso e às portas do Natal.

Os estudantes esqueceram a paragem dos 100 contos na conta da Universidade, sem dar andamento à construção da sede; o Instituto esqueceu a invasão; e a Universidade beneficiou com aposição reitoral e o benefício do respeito que era reconhecido ao seu chefe.

Parece não haver dúvidas que a direcção da Associação soube antecipadamente e deu o seu aval, contrariamente ao que fez acreditar na célebre reunião da Junta Administrativa.

Para além da Capa e Batina, Rua Larga, dos Estudos Vários de António Vasconcelos de 1987, estamos igualmente a considerar os Estudos para a História da UC, de Joaquim Ferreira Gomes, 1991 e do Associativismo da AAC e da Tomada da Bastilha, de Artur Ribeiro de 2002. Ainda não tivemos acesso à acta da reunião, que tentaremos publicar e antes do que não queremos tirar mais conclusões sobre os pormenores das posições de cada um e dos seus antecedentes.

Uma coisa é já definitiva, a Tomada da Bastilha é sem dúvida, um marco inolvidável de todo o movimento estudantil.

(*) Ex-Presidente da AAEC