Coimbra  28 de Julho de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Américo Baptista dos Santos

Dia do Antigo Estudante de Coimbra: Ponto de vista para proposta de unidade (VIII)

18 de Junho 2021

INTERLÚDIO. A moeda, tendo verso e reverso não deixa de ser uma única moeda. Sendo que o verso tem a dignidade identificadora, por ser aí que está a efígie. Não discutimos ainda hoje, se a origem da sede da AAC está em 1920 ou em 1954. Recebemos com a mesma abertura de espírito as duas interpretações e outras ainda possíveis. Mas recebemo-las como primeiro momento do processo, sem a nenhuma considerarmos, por ora, como antítese. Talvez não seja necessário nenhum conflito para atingir uma síntese. Não foi por acaso que nos propusemos a apresentar, desde do inicio, um ponto de vista para uma proposta de unidade. Com toda a legitimidade, que resulta da atribuição ao tempo do nosso mandato o nascimento da perturbação do statu quo ante. Outra vez. Se calhar ainda bem. Nada melhor para chegar à razão através daquilo que determina a existência de uma coisa ou um acontecimento do que ir às suas origens.

Porém, o nosso interlúdio de hoje tem uma causa diversa, é mais uma vez dar voz aos leitores que discordam, no caso, melhor é dizer, corrigem. Sabendo-se que numa temática tão abrangente há sempre a possibilidade de erro ou omissão, eis-nos aqui corrigindo um erro pelo contributo de um leitor.

Na Parte VII escrevemos “ … Nos anos seguintes a sede da AAC passa pela Faculdade de Letras (1912)…”.

Recebemos, da parte de um atento associado, o pedido de retificação. O elevadíssimo nível da mensagem merece a sua publicação, o que fazemos, com a devida vénia, embora sem a largueza que o autor merece. O texto pode ser lido na sua integralidade, pois está publicado na BIBLOS, Vol. XI (2ª Série), Faculdade de Letras – Coimbra, 2011, p.71-107. Resulta claro não ter capacidade de síntese para, em duas A4, meter 37 páginas de grande densidade. Esse texto serviu de base à exposição efectuada na FLUC, em 6 de Janeiro de 2011, integrada num ciclo de conferências promovido no âmbito das comemorações do centenário da Faculdade (1911-2011). Nem precisamos de mais para justificar a bondade em publicar a correcção do erro. Não queremos deixar de expor o mínimo ético que dispense ao comum um enquadramento bastante.

O texto NOVOS RUMOS DA HISTORIOGRAFIA, AO LONGO DO SÉCULO XX – A HISTÓRIA NA FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA é da autoria de José Amado Mendes e passa em revista os progressos registados no século XX, no que se refere às ciências históricas e à historiografia.

Confessamos o agrado com que “ fomos obrigados” a lê-lo na sua íntegra. Primeiro por dever do ofício e depois com extraordinário deleite, pelo prazer e enriquecimento que dele resultou. Quem assim tem leitores atentos nem precisa de saber “ler e escrever”, basta contar. Conto-vos que para a sua elaboração apresenta uma bibliografia, a que chama referências, com mais de duas dezenas de autores de língua portuguesa, espanhola, francesa e inglesa. Embora não cabendo no âmbito da rectificação todos os dados, transcrevemos parte da nota 32, onde se lê “ As Faculdades de Letras de Coimbra e Lisboa foram criadas pelo decreto de 19 de Abril de 1911; por sua vez, o Decreto com força de Lei de 9 de Maio do mesmo ano estabeleceu a legislação orgânica das referidas Faculdades (RODRIGUES, Manuel Augusto, A universidade de Coimbra no século XX. Actas da Faculdade de Letras, vol. I (1911-1925), Publicações do Arquivo da Universidade de Coimbra, 1989)”

Não podendo fazer, aqui, mais do que isso, convidamos a uma consulta a este trabalho feito com a probidade intelectual a que a Professor Amado Mendes nos habituou.

Mais do que uma rectificação trata-se de uma magnífica lição. Apetece-me dizer que vale a pena cometer erros!

(*) Ex-Presidente da AAEC