Coimbra  5 de Dezembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Américo Baptista dos Santos

Dia do Antigo Estudante de Coimbra: Ponto de vista para proposta de unidade (IV)

7 de Maio 2021

Antes de prosseguir o texto da semana passada, uma palavra aos nossos companheiros de Macau, que lá reuniram no domingo, dia 2. De Macau veio mais uma proposta para o dia do antigo estudante de Coimbra. Mais uma. É bom que os antigos estudantes de Coimbra se pensem. Todos. Quando nos pensamos, é a universidade de Coimbra que se pensa. Pensamento na honra do passado, na construção do futuro e na exigência do presente. Destes nossos companheiros de Macau falaremos no tempo próprio. Continuando. Depois de descrever a mobilização dos estudantes na grande vitória da Tomada da Bastilha, do antecipado 1.º de Dezembro, o Veloso diz que não houve aulas nesse dia, (referindo-se aqui a 25 de Novembro de 1920) e que as Repúblicas se engalanaram com os seus tarecos e trastes velhos. E acrescenta: “Com uma alegria esfusiante, a Academia veio para a rua, e esvoaçando suas capas atrás de Zés Pereiras (há quem refira bandas de música), que percorreram o bairro alto e parte do bairro baixo (…) A noite foi comprida e há notícia de uma grande manifestação em que tocou a Filarmónica de Barcouço. Mas o que mais a marcou foi a marche aux-flambeaux, de milhares de pessoas que desceram da Alta até à Baixa – tão luminosa como nunca antes tinha sido vista -, que ficou como verdadeiro ex-libris da Tomada da Bastilha e viria a ser replicada ao longo dos anos até aos dias de hoje, aquando das celebrações desta data, ainda que com itinerários diversos. (…) Rezam as crónicas que vários estudantes foram parar ao calabouço por gritarem Viva a Academia!. A chamada Monarquia do Norte, de Paiva Couceiro, fora reprimida não havia ainda dois anos; e os ouvidos da polícia deveriam estar educados para considerar que vivas terminando em “ia” só poderiam ser vivas à Monarquia…”.

As lutas académicas da UC foram, até certa altura, as lutas estudantes portugueses e quando se falava na Universidade não era preciso indicar o local. Nos encontros esquivos do Brasil, fomos encontrar gente que foi da nossa fábrica de porcelanas para a recriar por aquelas paragens. Futricas mas ao verem na lapela o emblema da Académica pelos 25 anos (dos atuais 63), saudaram-nos com o entusiasmo da fraternidade coimbrã. Aqui como no First Portuguese de Toronto, como em qualquer lugar do mundo, onde ainda pulse um coração na forma do mágico losango.

(*) Ex-Presidente da AAEC em Coimbra