Coimbra  25 de Maio de 2022 | Director: Lino Vinhal

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Américo Baptista dos Santos

Dia do Antigo Estudante de Coimbra: Ponto de vista para proposta de unidade (36)

7 de Maio 2022

Que Tomada da Bastilha? A pergunta que me é feita não deixa de me ser merecedora de sentido. Mas se ultrapassar a acepção que lhe dou passa a ser deslealdade. Sobretudo quando, com malas feitas me preparo para sair do solo pátrio em busca da brancura dos Pirenéus ocidentais, sem tempo nem serenidade suficiente para, em jeito e revisão da matéria dada, apresentar a minha defesa. Conto com a benevolência na aceitação de que a minha explicação não é esfarrapada.

O meu fascínio tinha, na circunstância, a ver com as duas opções em jogo, naquela partida: 1 de Março de 1290 e 25 de Novembro de 1920. Nem podia ser outra coisa. Embora reconheça que a prosa possa ter outra interpretação. Para essa benevolência me seja permitido citar a frase entalada no texto “Atenção que fascínio não é o mesmo que voto”.

Se me tivesse sido perguntado em vez de “Que Tomada da Bastilha?”, quantas Tomadas da Bastilha, a minha justificação seria muito mais fácil. Nestas quase quarenta semanas, foram muitas as “bastilhas” que mencionei.

Não tenho oportunidade de, em jeito de revisão da matéria dada, ir ao arquivo e ser rigoroso. Porém, indicativamente e de quase memória, eis algumas: – A Tomada da Bastilha (1920); O 1.º Encontro Nacional de Estudantes (1962); A Invasão do Senado (contras as propinas – 2004); O Desfile Nocturno (24 de Novembro de 1968); O Reatar das Tradições (1979/80); A Visita do Papa João Paulo II (15-05-1982 (?)); O Rapto da Caixa Registadora (1990?); O 17 de Abril; O Bloqueio ao Aumento das Propinas; O 4-04-1954, conhecido na Academia com esta designação, a que Mendes Silva, então Presidente da AAC, terá chamado Segunda Tomada da Bastilha e a que mais recentemente Polybio Serra e Silva ultimamente chamou de Tomada da Bastilha II.

Ao designar o acontecimento como Segunda Tomada da Bastilha, Mendes Silva respondia ao seu bom amigo Arlindo com o claro propósito de repor a verdade. Dizia, então, não se tratar de invocação de protagonismos, mas tendo como único motivo repor a verdade. Objectivo que pensava fácil de alcançar com um singelo avivar da memória.

Sendo eu o presidente da Direcção da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra, aquando da sua reunião ordinária de 27/09/2017, sinto-me obrigado a aceitar o desafio de repor a verdade dos factos. Confesso que não está a ser fácil. Posso não o conseguir, não desistirei enquanto não tiver a certeza da minha incapacidade em o cumprir.

Perto da passeada mensagem de Eduardo Lourenço, nos SMTUC, não sei se chegarei à meta mas estou a fazer o caminho.

O desafio que me foi lançado, na mensagem desta noite, impediu-me o sono dos justos mas inquietou-me o suficiente para vir a merecê-lo no futuro.

Usando o cabeçalho do saudoso Carlos Alberto da Mota Pinto: Camaradas, companheiros e amigos (acrescento irmãos) continuem a perguntar. Com as limitações que já confessei, tentarei continuar a responder.

(*) Ex-Presidente da AAEC