Coimbra  23 de Julho de 2024 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Pedro Lopes

Desperdício no SNS

14 de Junho 2024

O desperdício de recursos no Sistema Nacional de Saúde (SNS) é um problema significativo que afecta a sustentabilidade e a eficiência do sistema de saúde. Entre os principais factores contribuintes estão: a prescrição excessiva e inadequada de medicamentos, a falta de adesão terapêutica na prescrição, uso inadequado de exames complementares de diagnóstico, gestão ineficiente de stocks, falta de lideranças intermédias competentes e comunicação ineficaz, problemas de infraestrutura e logística, baixa literacia em saúde e capacitação insuficiente dos profissionais de saúde sobre práticas de gestão eficientes de recursos.

Os impactos do desperdício são, entre outros, o aumento dos custos e financeiros do SNS, a redução da disponibilidade de recursos financeiros para outras áreas de necessidade; a diminuição da eficácia dos serviços de saúde e aumento do risco de erros e eventos adversos. A limitação do acesso dos utentes a cuidados, tratamentos e a redução de capacidade de resposta também são impactantes.

Algumas estratégias para a mitigação do desperdício devem passar pela capacitação dos profissionais de saúde através da formação continua, campanhas de conscientização de utentes para o uso responsável dos serviços de saúde, implementação de sistemas informatizados para o controlo de sotck, planeamento e monitorização rigoroso das necessidades de cada unidade de saúde, optimização dos sistemas de informação para melhorar a comunicação e a coordenação entre os diferentes níveis de prestação de cuidados.

 

Três mil milhões de desperdício

 

A criação das Unidades Locais de Saúde não vai resolver por si só a comunicação ineficaz e as redundâncias. Outras estratégias podem passar pela realização de auditorias regulares para identificar fontes de desperdício e implementar melhorias com a monitorização contínua de indicadores de desempenho e qualidade; pelo desenvolvimento e implementação de políticas claras e objectivas sobre a gestão de cursos, adesão às directrizes baseadas em evidências para a realização de exames e procedimentos, promoção da inovação com práticas que aumentem a eficiência e reduzam o desperdício, investimento em tecnologias que optimizem o uso de recursos e melhorem a qualidade do atendimento.

Falar sobre o desperdício de recursos no SNS requer uma abordagem multifacetada que envolva educação, tecnologia, políticas claras e um sistema robusto de monitorização e auditoria. Ao implementar essas estratégias, entre outras, pode-se aumentar a eficiência, reduzir custos e melhorar a qualidade do atendimento prestado aos utentes.

Estamos a falar de três mil milhões de euros de desperdício na Saúde que, todos os anos, pode ser direccionado para cumprir alguns dos desígnios do Plano de Emergência de Saúde de 2024: “Mais e Melhor Saúde. Isto implica um maior acesso a cuidados de saúde, dentro do tempo clinicamente recomendado, em proximidade da região geográfica de residência do cliente, com a efectiva rentabilização de todos os recursos do país e um forte investimento na comunicação com os utentes“.

(*) Tesoureiro do Conselho Directivo da Secção Regional Centro da Ordem dos Enfermeiros