Coimbra  18 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Alírio

Desenvolvimento e crescimento: O planeta está contemplado?

29 de Março 2019

É frequente, nos dias de hoje, ouvir os ecologistas a manifestar a sua preocupação, face ao crescimento e ao desenvolvimento acelerado. Observam até a preocupação e por vezes falam em travar o desenvolvimento económico. Referem que esse é, ou pode ser mesmo o único caminho possível para a nossa civilização viver em sintonia com o meio ambiente.

Estaremos perante uma nova utopia? Sabemos todos como o crescimento ilimitado se manifestou no século passado e as consequências que teve no nosso Planeta.

Mas sei e acredito que o crescimento é algo imparável. Também sei, pelo que observo e estudo, que é da natureza humana querer sempre mais e melhor. Nunca menos.

A promoção de restrições na mobilidade, conforto e liberdade criou mais resistência do que o apoio à causa ambiental. Dizer que devemos parar de crescer e parar o progresso é negar a própria essência do homem. É um pensamento positivo. Por exemplo, como noutras alturas, o pensamento dos pacifistas foi parar conflitos. E bem. Acredito que precisamos bem mais do que isso para lutar contra as mudanças climáticas.

É por isso necessário pragmatismo.

No entender de Henry Dunant, há uma abordagem possível. É algo como se o crescimento como o conhecemos hoje, seja uma ameaça para a nossa continuação e desenvolvimento neste planeta, mesmo que seja inevitável. Então que caminho escolher?

É necessário encontrar um novo caminho para desenvolver a economia, mas que possibilite em simultâneo preservar a natureza! Algo como uma terceira via…

Entre o crescimento imparável e o retorno à “idade das trevas”, vulgo Idade Média, existe uma possível via alternativa… Terceira via. Ou seja, um crescimento da economia limpa. E que ao mesmo tempo nos ofereça desenvolvimento mas de forma sustentável.

Estamos a falar de desenvolvimento económico de índole qualitativo e não quantitativo.

Esse novo tipo de desenvolvimento económico é baseado no crescimento qualitativo, e não no Em lugar de considerarmos apenas o nosso bem-estar com aumento da quantidade de bens e serviços que consumimos, a opção é podermos substituir os sistemas mais arcaicos e poluidores por infraestruturas eficientes e limpas. O crescimento passaria a basear-se em produzir melhor em detrimento de produzir mais.

Essa opção, além de criar muitos empregos e muitas oportunidades, também poderá trazer riqueza. Todos os edifícios isolados por forma à neutralidade do carbono. Todos os sistemas de iluminação, aquecimento, refrigeração com sistemas LED. Processos industriais mais eficientes. Redes inteligentes que possibilitem a redução das necessidades energéticas, imaginemos, para metade! Isto com fontes de renováveis.

A tecnologia tem hoje muitas soluções para o meio ambiente em lugar das imensas restrições e dificuldades que todas as pessoas têm.

E essa opção é válida para os países ricos e para os países pobres. Estes últimos anseiam alcançar o nível de vida dos ditos países desenvolvidos.

Economia limpa em lugar de economia suja é uma oportunidade que está ao nosso alcance. Esta é também das maiores oportunidades desde a revolução industrial, desde os sistemas de energia a carvão e dos sistemas electromecânicos.

Vale a pena sermos todos um pouco ecologistas. Se o processo não puder ser parado, tal como o conhecemos, se não é possível parar o desenvolvimento, então que seja uma oportunidade para o tornar sustentável para o nosso ambiente. É o mínimo!

(*) Gestor e investigador

 

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