Coimbra  20 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Gonçalo Almeida

Defender o transporte ferroviário, defender a Estação Nova

20 de Março 2019

O figurino previsto para o Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) não é uma solução ferroviária. Trata- se de substituir ferrovia por autocarros e com isto fazer Coimbra andar para trás 100 anos.

A opção de encerrar o tráfego ferroviário entre Coimbra – B e a Estação Nova destina-se a perpetuar a injustiça de encerramento do Ramal da Lousã e privatizar uma parte dos transportes urbanos de Coimbra, atacando os SMTUC.

Perante o anúncio de encerramento da Estação Nova, em Coimbra, e arranque dos carris até à de Coimbra – B, há que raciocinar com ponderação e gostaria de identificar seis aspectos preponderantes:

Primeiro, trata-se de uma decisão errada, que vem aumentar a desertificação da «Baixa» de Coimbra e prejudicar quem utiliza o comboio nas suas deslocações (trabalhadores, estudantes, turistas, etc.).

Segundo, tal decisão reduz ainda mais a possibilidade de ligação do Ramal da Lousã à rede ferroviária nacional.

Terceiro, em cima dos milhões já gastos no SMM, o recurso a autocarros, em substituição do comboio, implica gastar mais 90 milhões de euros. Metade dessa verba seria suficiente para repor e electrificar a linha ferroviária, reaproveitando o material circulante existente na CP.

Quarto, a opção rodoviária, impedindo a ligação à rede ferroviária nacional, reduz a possibilidade de desenvolvimento da região por ser mais lenta, mais cara, menos amiga do ambiente e não permitir o transporte de mercadorias.

Quinto, esta solução significará a privatização de importantes parcelas dos transportes urbanos de Coimbra, prejudicando os SMTUC e conduzindo ao aumento de preços.

Sexto, é necessário que se cumpra um projecto de resolução aprovado pela Assembleia da República em que se propõe a extinção da sociedade MetroMondego, a devolução do seu património ao domínio público ferroviário e municipal, bem como a reposição e modernização do Ramal ferroviário da Lousã.

Abandonar a solução ferroviária é um profundo erro, como se comprova pelos problemas resultantes do encerramento de linha e pelas reclamações dos utentes sobre o funcionamento da opção rodoviária.

Foi apresentada pela CDU uma moção, na Assembleia Municipal de Coimbra, cujo teor procurava que o Município se posicionasse contra esta solução. PS, PSD, o movimento “Somos Coimbra” e o movimento Cidadãos por Coimbra (CpC) votaram contra ela, associando-se, assim, a uma decisão que afectará o desenvolvimento da cidade e do distrito.

Este posicionamento confirma que nas matérias estruturantes, e para lá do «folclore» para a comunicação social, existe uma ampla convergência das forças da política de Direita no Município conimbricense.

A CDU defende a reposição, modernização e electrificação da linha do Ramal da Lousã, bem como a extinção da sociedade MetroMondego e a valorização dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC).

(*) Autarca da CDU (membro da Assembleia da União de Freguesias de Coimbra)

 

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com