Coimbra  14 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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João Pinho

Curiosidade de Coimbra: A origem da expressão “Jacós”

2 de Agosto 2019

18 - João Pinho Curiosidades Jacó

 

Em muitos lugares da cidade de Coimbra, de acordo com a memória e conhecimento do povo, ainda se mantém em uso a designação de jacós, como equivalente de caixotes do lixo.

Tal expressão, que causa incompreensão e admiração a quem o desconhece, deriva de uma decisão tomada pelo Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, entre 1929-1931, o médico Dr. João dos Santos Jacob.

No seguimento de viagens que fizera durante três anos à Suiça, propôs à Câmara da sua presidência uma das primeiras medidas que a mesma aprovou e aplicou: substituir a redacção do art.º 120 do Código de Posturas Municipais, tornando obrigatório, a partir de 15.11.1930 o uso de recipientes metálicos para o lixo – que o povo logo crismou de jacós.

A beata de Celas

Maria Dias foi uma cristã-velha, solteira, que residia, por volta de 1589, no burgo de Celas, em Coimbra. Dizia que comunicava em espírito com a prioresa da Anunciada de Lisboa, após a comunhão, altura em que ficava sem acordo e arrebatada.

Também dizia que falava com Santo António e São Francisco e que tivera várias visões celestiais com Cristo, do vale do pecado, entre outros. Alegava ainda que o demónio a inquietava de vez em quando, ameaçando-a de denúncia à Inquisição.

Muito povo ficou convencido das suas visões, incluindo o seu confessor. Porém, veio a ser desmascarada por um cético que durante um dos seus “arrebatamentos” lhe colocou uma candeia acesa debaixo de um dedo que ela imediatamente afastou.

No acórdão do Santo Ofício, de 1590, confirmaram-se os seus fingimentos, com ofensa a Cristo, à Igreja Católica e aos fiéis, vindo a confessar aos inquisidores que se fingira santa para ter de que comer, o que foi levado em conta na aplicação da pena.

O tribunal condenou-a a 10 anos e degredo para o Brasil e a receber 50 açoites pelas ruas da cidade, não participando em auto de fé, ao contrário do que pretendia o Bispo D. Afonso de Castelo Branco, o qual a classificou como “a mais diabólica e artificiosa que a Prioresa que foi da Anunciada”.

(*) Historiador e investigador

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