Coimbra  11 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Cultura que gera cultura: 40º Festival Nacional de Folclore de Souselas

12 de Setembro 2019

Festival de Folclore de Souselas

O Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Souselas, seguindo a sua tradição de dinamismo e trabalho, organizou, no passado dia 07.09, o quadragésimo Festival Nacional de Folclore. O momento serviu também para celebrar duas efemérides muito respeitadas pelo grupo: por um lado, os 31 anos de membro da Federação do Folclore Português e, por outro, a filiação antiga na FNAT/INATEL.

O evento, que decorreu no recinto de festas de Souselas, numa noite muito agradável, contou com uma plateia bem composta que não deu, certamente, o seu tempo por mal empregue.

Grupos provenientes de vários pontos do país abrilhantaram o momento, trazendo os cantares, trajes, tradições, usos e costumes das respectivas regiões em que se inserem: Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa, Rancho Folclórico de Torres Novas, Rancho Folclórico e Etnográfico das Lavradeiras de Jovim (Gondomar) e Grupo Folclórico Cancioneiro de Cantanhede – os quais garantiram, com as suas actuações, uma extraordinária riqueza de diversidade à altura de um festival que ostenta reconhecidos pergaminhos.

A sessão de boas-vindas decorreu na biblioteca anexa de Souselas tendo usado da palavra: Filipe Quinteiro (presidente da Casa do Povo de Souselas), Paula Moreira (da AFERM e directora técnica do grupo etnográfico de Souselas), Rui Soares (presidente da UFSB), José Vilela (Federação Folclore Português) e João Pinho (colaborador do referido grupo e autor das monografias das freguesias agora agregadas).

Com alguma tristeza foi notada pelos presentes, a ausência de representação oficial por parte da Câmara Municipal de Coimbra no evento, não obstante o envio de convites para o efeito – atitude indelicada para com uma instituição que tem no seu historial, precisamente, a medalha de mérito cultural atribuída em 2005, pela edilidade coinimbricense. Esta ausência, que se vai tornando normal um pouco por toda a parte no que toca a folclore, etnografia e cultura popular, acabou por desencadear um aspecto positivo, na medida em que se gerou uma salutar troca de ideias sobre o papel dos grupos, as opções político-culturais, a importância na recolha de usos, costumes e tradições no nosso país, em prol de um ideal maior e nobre que é a salvaguarda da nossa história.

Recordou-se, a este propósito, que os elementos dos grupos não são remunerados, e que resistem fruto da persistência e resiliência de homens e mulheres, que de si tudo dão, sem nada mais receberem do que as danças que executam no palco ou as palmas que recebem daqueles que assistem à apresentação pública do seu trabalho.

O evento contou com presença de Bruno Paixão, director da Fundação Inatel em Coimbra, o qual, apesar dos seus múltiplos afazeres, fez questão de acompanhar o festival e as pessoas que o fizeram, e de transmitir, com a sua presença, um sinal de estímulo e apoio à difusão da cultura das nossas terras e das nossas gentes.

(*) Historiador e investigador

 

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