Coimbra  24 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Rodrigues da Costa

Coimbra e a Água, dos primórdios até meados do séc. XIX

3 de Outubro 2019

Rodrigues Costa Água

No dia 01 de Outubro, Dia Mundial da Água, foi inaugurada, no Museu da Água, sito no Parque Dr. Manuel Braga, procurando percorrer as várias etapas acontecidas ao longo dos tempos, uma exposição evocativa do abastecimento daquele precioso e, possivelmente a breve prazo, escasso líquido à nossa cidade.

Avalizaram cientificamente a exposição em apreço, a título pessoal e gratuitamente, Carlos Ferrão, Isabel Anjinho, Nelson Correia Borges, Paula França e eu próprio.

Tendo como ponto de partida a investigação levada a cabo, em 1942, por Martins de Carvalho na obra Fontes e Chafarizes de Coimbra e suas imediações e a de José Maria de Oliveira Lemos no livro Fontes e Chafarizes de Coimbra, publicado em 2004, foi-lhe anexada a pesquisa histórica e o abundante trabalho de campo efectuado pelos responsáveis.

As imagens e os textos apresentados resultam dessa conjugação.

Escolher as peças que deviam integrar a mostra tornou-se tarefa difícil, mas optou-se por um critério alargado, de forma a poder incluir as fontes decorativas já que estas, por constituírem um património da Cidade pouco conhecido, importava referenciar e divulgar.

O trabalho executado permitiu constatar a existência de situações verdadeiramente carecidas de intervenção, como as que seguidamente se referem:

– Da responsabilidade dos Monumentos Nacionais

. No complexo crúzio, o chafariz central do Claustro do Silêncio, não está operacional.

. O chafariz que se encontra no Jardim da Manga, aposto na parede superior ao restaurante, carece de urgente dignificação.

– Da responsabilidade do Centro Hospitalar de Coimbra

. A fonte da Maternidade Bissaia Barreto – uma das últimas iniciativas daquele professor, bem exemplificativa do seu gosto – começa a apresentar evidentes sinais de degradação e não funciona.

– Da responsabilidade da delegação do INE em Coimbra

. O chafariz do jardim da Casa das Andorinhas, na Rua Aires de Campos, fica-se pelo aspecto decorativo.

– Da responsabilidade da Diocese

. A fonte e lago central do jardim do Seminário não estão operacionais.

– Da responsabilidade da Universidade

. No Jardim Botânico, a Fonte de Santa Escolástica ou das três bicas necessita urgentemente de obras de recuperação e de dignificação.

– Da responsabilidade da Câmara Municipal

. A fonte do jardim de Sant’Ana, vulgarmente conhecido por Jardim dos Patos e a do Penedo da Saudade – aqui o jardim no seu todo – estão carecidas de manutenção.

. A fonte do Castanheiro – um ícone da tradição coimbrã – merecia, e devia ser dignificada e recuperada.

. A fonte da Nogueira, no Jardim da Sereia, carece de reabilitação, tal como acontece com todo o Jardim. Este processo de valorização de algo que qualquer cidade gostaria de possuir, arrasta-se inexplicavelmente.

. A «claraboia» ou «mãe de água» da Rua Pedro Monteiro está em evidente perigo de derrocada.

Não se pode deixar de referir que as novas tecnologias permitem, sem custos exagerados e sem grandes consumos de água, assegurar a operacionalidade e o funcionamento do qualquer equipamento deste tipo.

Acentua-se, de novo, que o trabalho de apoio à exposição foi realizado no âmbito de um contributo de cidadania, mas o grupo de apoio científico gostaria que as situações acima mencionadas tivessem em conta o alerta lançado, podendo até, em nosso entender, usufruir da cooperação da Câmara Municipal de Coimbra. Além disso, pedem à Administração das Águas de Coimbra que, em recompensa da colaboração prestada, se comprometa a desenvolver esforços no sentido de levar a cabo uma intervenção urgente na «claraboia» ou «mãe de água» da Rua Pedro Monteiro, uma vez que esta estrutura arrisca-se a, no final do próximo Inverno, não passar de um amontoado de pedras.

Trata-se do último vestígio visível do sistema de fontes – as fontes do Rei, da Rainha e do Príncipe – que durante tantos séculos asseguraram a existência da água capaz de permitir a vida na cidade de Coimbra.

 

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