Coimbra  28 de Fevereiro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Hernâni Caniço

Coimbra constrói, o Centralismo destrói

30 de Dezembro 2020

(*) Médico e deputado do PS na Assembleia Municipal de Coimbra

 

O Hospital Militar de Coimbra foi criado em 1911, no edifício do antigo Convento de S. Teresa, e em 1918, passou para o edifício que ainda hoje ocupa, sendo em 2009 desativado como hospital (o Hospital Militar Regional no 2) e transformado em Centro de Saúde Militar de Coimbra.

Não se trata de uma questão semântica, mas da transformação de conceito de serviço público, neste caso às forças armadas, agentes de segurança, seus familiares e vítimas do Estado Novo, em que um Hospital polivalente (onde é que já vi este filme…) é substituído por um centro de saúde, prioritariamente para cuidados primários, com extinção progressiva de cuidados secundários e terciários.

Isto quando, simultaneamente, não há problemas económicos na gestão da unidade de saúde, são renovados equipamentos e instalações, o atendimento de utentes destinado à Região Centro é alargado a utentes de todo o País por sobrecarga do HFAR em Lisboa e do Polo do Porto, e existe capacidade para ser supletiva ao SNS, quando este atravessa uma fase de dificuldade no atendimento COVID e não COVID.

Mas não são substituídos os recursos humanos necessários para esta dimensão, são reduzidos até pela via da aposentação.

Convidámos todas as forças políticas da AM, a sugestões e subscrição de uma Moção que apresentámos, no âmbito do Grupo Municipal do Partido Socialista. A Moção foi subscrita pelo MPT-Partido da Terra e pelo PPM, tendo o apoio das forças políticas, Somos Coimbra, Cidadãos por Coimbra, CDU e CDS PP, além do Partido Socialista, evidentemente. O PSD não respondeu à nossa comunicação.

Recebemos sugestões do PPM, que já estavam no espírito do articulado da Moção entregue na AM, relativamente ao alargamento da assistência em saúde a ex-militares e reservistas, ao apoio que o CSMC pode dar ao SNS em situações de especial gravidade, à revalorização do atual CSMC como polo do HFAR (Lisboa) e ao agendamento de visita de trabalho da AM ao CSMC. O CDS admite também o recurso aos serviços privados de saúde, complementarmente ao SNS.

A preservação e reabilitação de uma estrutura de saúde militar em Coimbra, que serve a Região Centro, é uma causa que interessa a todos os cidadãos e, portanto, a todas as forças políticas, julgamos, pelo que o nosso apelo é que a força de Coimbra não seja apenas retórica e se materialize numa posição pública que representa a cidade, como é o caso da Assembleia Municipal.

Coimbra constrói, o centralismo destrói.

Coimbra tem capacidade para fazer obra, para produzir quadros, para gerir recursos, para prestar cuidados de saúde e apoiar agentes da estabilidade e segurança pública, famílias diversificadas e cidadãos, incluindo as vítimas de uma guerra que não desejaram.

O centralismo tem o poder de restringir funções e actividades, de desarticular serviços que funcionam bem, de eliminar recursos que são úteis aos outros, venha a nós o que nós queremos, enfim, a concentração aliada ao pânico do federalismo qual abutre ameaçador.

Apelamos assim às forças políticas que representam Coimbra para que demonstrem ao poder central que Coimbra existe, que Coimbra não é triste, que Coimbra não tem de ser um fado de desgraça, e vai fazer da tristeza graça, convicção e luta pelos seus direitos.

A todas e a todos, Boas Festas 2020 em contenção e um Bom Ano 2021 de esperança e afirmação!

 

Hernâni Caniço, 29/12/20