Coimbra  24 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Jaime Ramos

Coimbra: cidade de excelência, liderar a região

23 de Junho 2017

Coimbra possui centralidade, saúde de excelência, ensino superior prestigiado, património cultural Unesco, infra-estruturas de qualidade e segurança, garantindo boa qualidade de vida.

Coimbra está negligenciada e é vítima de estagnação socioeconómica, incluindo perda populacional.

Os jovens estão condenados a sair.

Amiga das empresas, inimiga da pobreza

Coimbra não tem uma estratégia de captação de investimento.

A procura de investidores exige pro-actividade, criatividade, imaginação e mesmo agressividade competitiva.

Temos de apostar na inovação e de assumir Coimbra como território de oportunidades para novos sectores.

Coimbra deve ambicionar ser a cidade, moderna e atraente, onde é mais fácil criar e instalar novos negócios e investimentos em Portugal. Uma cidade sem entraves burocráticos, com uma autarquia flexível, que facilita e incentiva empreendedores.

Temos de mobilizar as forças vivas para gerar sinergias que nos afirmem como cidade ambiciosa, amiga dos empresários, que combate a corrupção e promove a transparência.

Uma cidade que aposta no crescimento inclusivo, no combate à pobreza e capaz de implementar um Projecto Sem Abrigo Zero, que seja exemplo a nível nacional.

Coimbra deve criar um projecto educativo de excelência, assente na escola pública, que combata o abandono escolar, promova o insucesso educativo, aposte na inclusão e detecte talentos individuais que combatam a estratificação social.

Coimbra deve ambicionar a Académica na primeira divisão, assumir-se como candidata a Capital Europeia da Cultura e sede de organismos nacionais e internacionais como a Agência Europeia do Medicamento.

Criar a Área Metropolitana

Coimbra tem perdido influência a nível nacional.

Tem de voltar a assumir a liderança regional, não por herança, mas por ser capaz de gerar compromissos e consensos regionais que defendam a região.

Coimbra tem de negociar estratégias e objectivos com a Comunidade Intermunicipal de Coimbra, que é a maior CIM do país, tendo de promover a Área Metropolitana, com direitos e poderes iguais ao Porto e Lisboa.

Coimbra tem de liderar pelo diálogo e pela criatividade cooperando com a sua área de influência mais alargada, com fluxos diários, que engloba uma região que chega ao norte dos distritos de Leiria e Santarém, ao sul do distrito de Aveiro e ao ocidente de Viseu, Guarda e Castelo Branco.

Afirmar a região Coimbra-Centro

A região Centro tem sido prejudicada pela bi-macrocefalia de Lisboa e Porto.

Coimbra tem de ganhar a confiança dos distritos próximos apostando na solidariedade regional.

Há reivindicações de cidades da região que devem ser bandeiras de Coimbra:

– Aeroporto na base aérea de Monte Real;

-.Valorização do porto da Figueira, para mercadorias e terminal de cruzeiros;

-.Auto-estrada Castelo Branco/Espanha e Coimbra/Viseu;

-.IC6/IC7 , histórica estrada da Beira, melhorando as ligações à Guarda e Covilhã;

-.Metro Mondego, base de um eficaz sistema de transportes públicos em todas as freguesias de Coimbra, ligando os concelhos vizinhos;

– Melhoria da ferrovia para Vilar Formoso e solução para a Estação Velha;

-.Requalificação da bacia do Mondego, com fins ambientais e económicos.

Coimbra afirmará a região para fortalecer os municípios parceiros, numa estratégia de desenvolvimento sustentável, do litoral ao interior, não para se aproveitar dos vizinhos.

As causas da pobreza nacional são a corrupção, a falta de transparência criadas pelo centralismo, ineficiente e perdulário, nascido no Terreiro do Paço.

Coimbra tem de liderar a região, com ideais políticos de coesão social, que obriguem Lisboa a desconcentrar serviços. Lisboa não pode continuar a monopolizar todos os órgãos de soberania e serviços centrais do Estado.

A defesa do interesse nacional exige uma região Centro forte e Coimbra ambiciosa e orgulhosa do passado com capacidade de melhorar o futuro.

(*) Candidato à CMC