Coimbra  26 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

José Belo

CMC: Não basta bom vento se não se sabe o rumo

23 de Março 2017

Coimbra está proibida de desistir da criação de emprego.

Todos nos apercebemos do impacto que tem na qualidade de vida da população de Coimbra e do concelho a situação, dramaticamente fragilizada, do nosso tecido empresarial e o que daí resulta em termos de criação de riqueza e de postos de trabalho.

Reclama-se, portanto, um acrescido e continuado esforço de reflexão, que importa regar, estimulando a participação de todos os que, para o efeito, forem convocados para este estratégico desafio.

Os objectivos a tratar não serão difíceis de acertar entre os participantes, adiantando, desde já, a implementação de medidas para o desenvolvimento sustentado do tecido empresarial, a definição de procedimentos que levem a uma efectiva articulação entre a Câmara Municipal de Coimbra e os representantes dos trabalhadores e empregadores, passando, ainda, pelo rasgar de novos caminhos e estratégias de promoção e captação de investimento, num esforço alargado às instituições de referência da cidade, do concelho e da própria região Centro.

Este poderá ser o ponto de partida, de onde nascerão medidas ligadas à captação de novas empresas e de reforço do apoio à actividade empresarial e à criação de novos postos de trabalho.

Penso que ninguém discorda, também, de que este executivo da CMC tinha a desperdiçada responsabilidade de saber-se envolver na criação de esperança para os milhares de jovens, que entram e saem das nossas instituições educativas, dos que procuram o primeiro emprego ou que estão longe dele (há muito ou pouco tempo).

A Ikea, a IBM e até a Critical Software ( novo investimento) lá fugiram para outros paragens, (Braga, Viseu e Porto, respectivamente), onde vão criar mais-valias e emprego…

Deixar esta tarefa para o mercado, apenas para o mercado, é esquecer do que ele é capaz, numa racionalidade onde a vertente social (muitas vezes) não é tratada como merece. E isso acaba por ter consequências.

A Câmara de Coimbra, nesta área de intervenção, tem de arregaçar as mangas e sair da praça de 08 de Maio; tem de ser protagonista principal num processo de desenvolvimento local e regional, para poder estimular o investimento e o empreendedorismo e atacar, com sucesso, os mercados portugueses e até para lá de Vilar Formoso. E não o tem feito adequadamente, na minha perspectiva.

Por tudo isto, será necessária uma nova dinâmica para Coimbra, novas prioridades e uma participada capacidade de gestão política, assente numa estratégia integrada, onde caibam a educação e o emprego, a cultura e o turismo, a reabilitação urbana, o apoio aos investidores, ao empreendedorismo, à actividade económica, à inovação e ao conhecimento, de braço dado com a valorização das actividades tradicionais sustentáveis.

A CMC devia, ainda, ter liderado um grande debate sobre o emprego e a economia, sem muros, com o envolvimento de todos, estudantes, intelectuais, instituições, representantes dos empregadores e trabalhadores, etc, discutindo ideias, afirmando diferenças, questionando projectos por mais arrojados que sejam.

Alguém sabe da existência, na Câmara de Coimbra, de um grande fórum, operativo, vivo, de diálogo, concertação e monitorização da actividade económica e do emprego no concelho e na região, chame-se Conselho Municipal para o Emprego e Desenvolvimento Económico ou outra coisa qualquer?

Alguém vislumbra, “intra muros” da CMC, algum Observatório do Trabalho, capaz de dar informações e fazer reflexões que conduzam à elaboração de propostas de acção em relação às questões do mundo laboral?

Alguém poderá dizer que a relação entre empresas criadas e aquelas que cessaram a sua laboração no nosso concelho, no último ano, foi virtuosa? Ou, então, assegurar, que o valor da captação do investimento, nesse mesmo período, foi de mão cheia?

E quanto ao investimento anual que a principal autarquia de Coimbra fez nesta área de intervenção, pode a consciência política deste executivo camarário ficar de bem consigo?

Será que se pode dizer que existe algum Gabinete de Inserção Profissional para prestar apoio aos jovens da cidade e do concelho e também aos adultos desempregados no seu percurso de inserção ou reinserção no mercado de trabalho?

Será que existe algum levantamento, em articulação com outros parceiros, sobre o que está a acontecer com os jovens que saem, licenciados, das nossas instituições ou, até, com aqueles de zonas socialmente sensíveis, para se percepcionar o que se pode fazer, isto é, se há ideias nestes desempregados com potencial de negócio, permitindo avaliar e filtrar projectos e reflectir sobre a melhor forma de os apoiar?

Tem sido feito um esforço de comunicação e eficaz divulgação no sentido de rentabilizar os espaços existentes em Coimbra para acolher estas iniciativas empresariais, indo ao seu encontro e fazê-las crescer?

Será que existe um Regulamento de Apoio a Iniciativas Empresariais e Económicas, que «democratize» o acesso à concessão de isenções de impostos municipais, quando se trata da criação de empresas de raíz ou, então, que precisem de ampliar ou melhorar as suas instalações para ganharem competitividade e poderem criar mais emprego?

Alguém conhece algum fundo municipal de financiamento alternativo para apoiar pequenos projectos diferenciadores, liderado pela CMC, tendo como parceira uma instituição de crédito / IAPMEI a garantir a sustentabilidade à iniciativa?

Há algum plano que tenha alvos sustentados de criação de emprego até 2022, por exemplo?

A lista podia continuar, mas fico-me por estas interpelações, não sem antes dizer que há muitos municípios, onde, felizmente, estas perguntas são positivamente respondidas.

Gostava muito que, entre nós, também, as respostas fossem todas afirmativas, mas, infelizmente, sabemos o quadro restritivo de envolvimento da CMC nestas importantes áreas, que reclamam larga participação cidadã e institucional, coisa avessa neste executivo.

É, por isso, inadiável começar por algum lado a reforçar a frágil abordagem que a CMC tem feito, regando, com as águas do rio Mondego, o incontornável diálogo entre a oferta e a procura de emprego e o apoio às empresas.

Coimbra está proibida de desistir da criação de emprego. Coimbra está proibida de ignorar a mais-valia que significa a existência de empregadores e empreendedores apoiados e empenhados na criação de emprego e de um projecto de futuro apetecível.

A economia e o emprego têm de ser uma das grandes prioridades. O mesmo é dizer as pessoas!

(*) Vereador do PSD na CMC

 

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