Coimbra  20 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Norberto Pires

Centro Direita tem uma derrota humilhante

10 de Outubro 2019

As eleições de domingo passado correspondem a uma derrota humilhante do centro-direita em todo o país. E se o PSD se aguenta, até relativamente ao que era antecipado pelas sondagens, o CDS tem uma prestação muito, mas mesmo muito, má. Tão má que a sua líder, Assunção Cristas, convocou desde já um congresso extraordinário, afirmando que não se volta a candidatar.

No total, o PSD e o CDS obtiveram 2 milhões e 800 mil votos nas legislativas de 2011. Desses, 654 mil votos eram do CDS. Em 2015, os dois partidos obtiveram cerca de 2 milhões de votos, perdendo no total cerca de 800 mil votos em 4 anos. Agora, em 2019, o PSD obtém cerca de 1 milhão e 420 mil votos e o CDS cerca de 216 mil votos, ou seja, perdendo de novo cerca de 364 mil votos. Isto significa que o PSD e o CDS perderam cerca de 1.16 milhões de votos desde 2011: 440 mil votos do CDS (67.3% do seu eleitorado de 2011) e 666 mil votos do PSD (31% do seu eleitorado de 2011). Não há forma como esconder, o centro-direita tem um problema sério e está em perda muito significativa em todo o país.

Em Coimbra, os resultados são ainda muito piores. Em 2011, o PSD e CDS tiveram 113.5 mil votos no distrito de Coimbra, dos quais 22.4 mil eram do CDS. Em 2015, PSD e CDS tiveram 82 mil votos no distrito (perdendo, portanto, 31.5 mil votos). Agora, em 2019, os mesmo dois partidos obtêm 61.3 mil votos (dos quis 7.1 mil votos são do CDS, o qual perde 15.3 mil votos desde 2011), ou seja, no total estes dois partidos perderam mais 20.7 mil votos nestas eleições. Consequentemente, desde 2011 o espaço do centro-direita perdeu 51.2 mil votos, ou seja, cerca de 45.7% da votação de 2011. Por seu lado, o PSD perdeu 34.9 mil votos no distrito de Coimbra desde 2011, o que equivale a 45% da sua votação de 2011.

Analisando somente a cidade de Coimbra, o PSD passa de 28.4 mil votos em 2011 para 18 mil votos em 2019 (menos 10.4 mil votos do que em 2011), perdendo, inclusive, na emblemática freguesia de Santo António dos Olivais. Por seu lado, o CDS passa de 8.7 mil votos em 2011 para somente 2.9 mil votos em 2019 (perdendo, portanto, 5.8 mil votos). Só na cidade de Coimbra, o espaço do centro-direita perdeu cerca 16.2 mil votos desde 2011.

Tudo isto só pode querer dizer que este espaço político precisa de uma urgente renovação, até porque, grande parte das perdas não se transfere para os partidos de esquerda, mas antes para a abstenção. Entre 2011 e 2019, o PS sobe 300 mil votos em termos nacionais e o BE sobe 200 mil votos.

O que é significativa é a subida da abstenção. Em 2011, votaram 5.6 milhões de pessoas (58.08% dos inscritos) e em 2019 votaram 5.07 milhões de pessoas (54.5% dos inscritos), portanto menos 530 mil pessoas. Tudo isto é muito significativo e merece reflexão.

O país tem uma larga maioria de esquerda e validou nestas eleições o modelo governativo que teve nos últimos 4 anos. Indicou ainda, com clareza, que quer o PS a governar, fazendo acordos com os partidos à sua esquerda. O centro-direita recebeu um aviso muito sério. Ou se renova, chamando para o seu seio novos quadros e renovando o seu discurso, ou tende a valer muito menos de 30%.

O parlamento continua a contar com o PAN, com 4 deputados (menos 1 que o CDS), e passa a ter 3 novos partidos: o CHEGA com 1 deputado, a Iniciativa Liberal com 1 deputado e o Livre com 1 deputado.

Como tudo isto vai funcionar, não sei. Aguardemos.

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