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João Pinho

CEIS XX: 20.º aniversário assinalado com 12 congressos em 10 dias

22 de Novembro 2018
18 - João Pinho CEIS20

Colóquio Obras Públicas no Estado Novo realizado na FLUC. Mesa de abertura – Joana Brites, António Rochette, José Bandeirinha, Pedro Paiva, Ana Ribeiro, Lurdes Craveiro, Luís Correia

O Centro de Estudos Interdisciplinares do século XX (Centro de I&D da Universidade de Coimbra) assinalou, entre os dias 05 e 14 deste mês, o seu 20.º aniversário com a realização de 12 congressos de âmbito internacional, que trouxeram a Coimbra investigadores de todo o planeta e figuras de grande prestígio – caso dos professores de história moderna Roger Griffin (Universidade de Oxford) ou Gerhard Hirschfeld (Universidade de Estugarda).

Um esforço imenso de produção e partilha de conhecimentos, bem como de reflexão epistemológica em torno de questões fundamentais que unem, através das ciências sociais e humanas, a cultura de diferentes países e povos, cruzando dinâmicas nacionais com internacionais, da multidisciplinaridade à interdisciplinaridade e transdisciplinaridade: Descentralização e Inovação Pedagógica, Diáspora Sefardita, Educação e e-Learning, Obras Públicas no Estado Novo, I Guerra Mundial e Pandemia de 1918, Refugiados e Territorialidades Precárias, Territórios e Fronteiras, mutações na América do Sul, Tradição e Modernidade no Mundo Ibero-Americano ou a Ética e Deontologia no Jornalismo no Espaço Lusófono.

Estes eventos mereceram o alto patrocínio da Presidência da República e decorreram, de forma descentralizada, em espaços diversos da comunidade universitária ou equipamentos municipais: Faculdade Psicologia e Ciências da Educação, Faculdade de Letras, Arquivo da Universidade, Convento de S. Francisco, Casa da Escrita, Auditório da Reitoria.

Nestes encontros académicos, técnicos e científicos, apesar da emergência da discussão em torno de temáticas de natureza genérica e abrangente foi sublinhada, em vários momentos, a importância da promoção dos estudos locais e regionais para a compreensão da evolução dos processos históricos. Assim o pensaram e afirmaram Griffin, a propósito da emergência dos regimes parafascistas, ou Hirschfeld, a propósito do processo que conduziu à I Guerra Mundial.

No mesmo sentido, Francisco George, ex- director nacional de Saúde e actual Presidente da Cruz Vermelha, salientou, na sua intervenção sobre a Gripe Pneumónica de 1918 (ou Grande Pandemia) o quão importante seria que os municípios e estruturas de promoção da investigação universitária, fomentassem estudos à escala municipal, tendo em vista perceber melhor as dinâmicas do maior flagelo da história da humanidade, que ceifou mais de 50 milhões de pessoas à escala planetária e, entre nós, um número incerto de óbitos, que se presume tenha superado a cifra dos 150 000.

Em tempos acelerados de incerteza, em que Descentralização e Regionalização parecem subtraídos dos discursos nacionais em prol de visões globais, não deixa de ser curiosa esta necessidade de recentrar a investigação no espaço eterno da identidade, história e memória, isto é; no local e regional.

(*) Historiador e investigador