Coimbra  20 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Lino Vinhal

Casa dos Pobres: vamos lá

11 de Janeiro 2019

Já aqui noticiámos, há umas semanas, que a Casa dos Pobres de Coimbra vai ter um ano de 2019 particularmente exigente, porque se tornou inadiável a realização de algumas obras de ampliação. Por outro lado, as dificuldades de manter em condições dignas uma instituição desta natureza são cada vez maiores. Os dinheiros públicos não esticam, nem sempre são bem aplicados, e sobra para a sociedade civil a responsabilidade ética de colaborar com instituições desta matriz social.

Para sensibilizar essa mesma sociedade civil, decidimos pedir a 40/50 individualidades de Coimbra que colaborassem nesta iniciativa, escrevendo um texto alusivo à Casa dos Pobres e que publicaríamos semanalmente, ao longo do ano, no “Campeão das Províncias” e no “O Despertar”. É desta iniciativa que estamos a dar conta aos nossos leitores e já temos connosco algumas dessas colaborações que vamos começar a publicar na próxima edição. Mas já verificámos o seguinte: há uma parte substancial de Coimbra que não conhece a realidade da Casa dos Pobres. É natural. A vida é cada vez mais exigente, leva-nos para nichos de preocupação que muitas vezes nos afastam disto ou daquilo. Ninguém é imenso ou omnipresente. Mas até por isso esta nossa iniciativa se justifica aos nossos olhos, assumindo uma forma de envolver a comunidade com esta realidade social, sensibilizando-a cada vez mais para estes focos de necessidade a que urge dar a mão. Reconheça-se, todavia, que uma outra parte da nossa Coimbra já está de mãos dadas com a Casa dos Pobres e há anos que isso acontece. O anterior presidente Aníbal Duarte de Almeida, detentor de uma capacidade imaginativa sem limites, envolveu muita gente nesta causa. O almoço dos “Românticos”, que se realiza à segunda terça-feira de cada mês, é disso um exemplo bem visível. Teve desde sempre uma ajuda decisiva de diversos Magistrados dos nossos Tribunais que ali vão, ainda hoje, almoçar nesse dia um cozido à portuguesa, ementa decretada para vigorar sem data à vista. Outros se juntaram e hoje ronda uma média de cem pessoas em cada um desses almoços. Vai quem quer, paga o que quiser acima de mínimos aceitáveis e, assim, suavemente, contribui para que os utentes da Casa dos Pobres concretizem o seu direito a ser bem tratados.

É isto que vos queremos dizer, caros leitores. Ajude-nos nesta iniciativa. Ajude-nos a dar sentido à vida. Ajude-nos a complementar e preencher algumas falhas que a natureza deixou em aberto.

Bom ano a todos.

Lino Vinhal

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