Coimbra  27 de Maio de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Euclides Dâmaso Simões

Casa dos Pobres: Ser solidário

10 de Maio 2019

Casa dos Pobres

 

O Dr. Lino Vinhal desafiou-me, com a elegância costumada, a escrever em alusão à Casa dos Pobres de Coimbra.

De bom grado o faço, pelo respeito que me merece o interpelante e pelo relevo que assume, no plano assistencial, aquela instituição.

Ocorre, além disso, que os quarenta anos que cumpri ao serviço da Justiça, no Ministério Público, me familiarizaram com as questões da vulnerabilidade, de todas as vulnerabilidades, sejam as das vítimas de crimes, sejam as das crianças, as dos trabalhadores injustiçados, as dos incapazes, as dos idosos ou as das pessoas em situação de pobreza. De todas elas o Ministério Público é, por imposição estatutária, guardião primordial, sentinela atenta nos postos de vigilância da Justiça.

Mas não é ao cumprimento desse imperativo constitucional que agora quero dar realce. É tão somente à minha experiência pessoal com a Casa dos Pobres de Coimbra.

Quando, no início desta década, cheguei à Procuradoria Geral Distrital de Coimbra, era já tradição arreigada a recolha de donativos entre os magistrados e funcionários do Tribunal da Relação, por alturas do Natal, a favor daquela instituição. Dela se encarregava zelosamente o meu colega Pedro Branquinho Ferreira Dias, nisso sucedendo a seu Pai e meu ilustre amigo, o Conselheiro Ferreira Dias, que além de profundo sentido de caridade cristã tinha com o Senhor Aníbal de Almeida, alma e coração da Casa, uma relação de antiga e fraterna amizade. E era também na esteira dessa fraternidade de décadas que, uma ou duas vezes por ano, juízes desembargadores e procuradores-gerais adjuntos se reuniam na Casa dos Pobres para, a pretexto de um almoço de cozido à portuguesa, darem o seu óbolo à benemérita instituição.

Mais do que da excelência das carnes retive em memória a cativante figura de Aníbal de Almeida, ali anfitrião, ali diplomata, ali esmerado intermediário entre quem pode e quem precisa.

Aníbal Duarte de Almeida e Manuel da Rosa Ferreira Dias não fazem já parte do número dos vivos. Cabe-nos agora a nós, em sua honra e benefício da Casa dos Pobres, dar continuidade a essa tradição. Por muitos anos.