Coimbra  27 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Docentes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Carta aberta sobre a realização de praxes neste ano letivo

1 de Outubro 2020

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

FLUC

 

Ao Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra,

Aos Membros do Conselho Geral,

Enquanto docentes da Universidade de Coimbra, vimos por este meio exprimir uma crítica veemente à decisão do Conselho de Veteranos no sentido da manutenção das atividades de praxe no presente ano letivo.

Num contexto de crescente risco sanitário e de extrema exigência e rigor colocados nas medidas de regresso às atividades presenciais de toda a comunidade académica, foi solicitado a docentes, funcionários/as não docentes e estudantes um esforço e sacrifício acrescidos, que estamos a desenvolver com espírito de missão e no sentido da manutenção da qualidade de ensino/aprendizagem que uma instituição como a Universidade de Coimbra requer. Muitos/as de nós se colocam ou estarão, inclusivamente, em situações de risco. Da mesma maneira, a própria reitoria e as direções de Faculdades realizaram esforços significativos para que o ano letivo possa decorrer com a normalidade possível.

Por estas razões, a decisão de um grupo de estudantes sem qualquer representatividade democrática ou institucional de manter atividades que, pelo seu próprio cariz, nomeadamente suscitando entusiasmos que contrariam as regras e os conselhos das autoridades sanitárias, criam injustificadamente fortes situações de risco, parece-nos merecer das autoridades universitárias uma posição firme de distanciamento, incluindo, desejavelmente, uma solicitação de anulação das mesmas atividades em qualquer lugar, na linha, aliás, do que aconteceu com as autoridades de outras instituições universitárias em contexto pandémico, nomeadamente a Universidade de Lisboa.

Tal como afirmou o Ministro do Ensino Superior, em carta dirigida a todas as IES, cabe às instituições universitárias dar o exemplo de civismo que se exige a todos/as os/as cidadãos/ãs relativamente à contenção da pandemia. Ao colocar-se perante esta exigência sem a veemência necessária, a UC tem surgido na comunicação social, no âmbito nacional, de uma forma pouco positiva. De facto, não surpreende que quer a comunidade universitária, quer a comunidade local, quer o país, estranhem, por um lado, os sacrifícios que lhes são exigidos e, por outro lado, a permissividade em relação a atividades de alto risco, como a praxe, cuja realização não se reveste de nenhuma utilidade e poderá acarretar enormes danos, podendo até pôr em causa o decorrer do ano letivo, prejudicando docentes, estudantes, famílias e a cidade.

Apelamos, pois, a V. Exas. no sentido da adoção de posições de maior firmeza que impeçam a realização de praxes no período da pandemia.

 

Os/as abaixo-assinados/as:

Adriana Bebiano

Anabela Fernandes

Ana Machado

António Campar

António Sousa Ribeiro

Carlos Camponez

Catarina Isabel Martins

Clara Keating

Claudia Ascher

Cornelia Plag

Cristina Martins

Diogo Ferrer

Fátima Velez de Castro

Frederico Lourenço

Graça Capinha

Graça Rio-Torto

Inês Amaral

Isabel Pereira

Isabel Santos

Jacinta Matos

José Bernardes

João Maria André

Judite Carecho

Leontina Ventura

Lúcio Cunha

Luísa Portocarrero

Luísa Trindade

Manuel Portela

Maria Beatriz Marques

Maria da Conceição Lopes

Maria de Lurdes Craveiro

Maria do Rosário Morujão

Maria Isabel Caldeira

Maria João Silveirinha

Maria João Simões

Maria José Canelo

Norberto Santos

Paulo Nossa

Raquel Vilaça

Rita Marnoto

Rosário Ferreira

Rosário Mariano

Rui Bebiano

Rui Ferreira

Rute Soares