Coimbra  4 de Dezembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Breve reflexão e análise: A instalação dos órgãos autárquicos em Souselas e Botão

22 de Outubro 2021

No passado dia 16, pelo final da tarde, nas instalações da Casa do Povo de Souselas, tomaram posse os novos órgãos autárquicos da UF de Souselas e Botão. O acto foi dignificado pela presença dos futuros membros da vereação na CMC, Francisco Veiga e Ana Bastos, bem como pelo chefe de gabinete de José Manuel Silva, Nélson Cruz, a quem renovo, publicamente, os meus cumprimentos, desejando que tenham um mandato sereno, longo e profícuo.

A única oposição presente, a socialista, dado que o elemento afecto à CDU não compareceu ao acto, viabilizou, por unanimidade, a nova Assembleia de Freguesia e Executivo, demonstrando a continuidade de uma linha política assente não só no respeito pela vontade popular, que havia conferido maioria absoluta ao movimento Juntos Somos Souselas e Botão, mas também no desejo de colaborar no desenvolvimento da União de Freguesias, não obstaculizando, antes pelo contrário, conferindo um renovado voto de confiança aos eleitos.

Tudo faremos, na verdade, para prosseguir o caminho da política verde, que nos parece a forma mais correcta de ser e de estar na vida cívica e na res publica. Os altos interesses políticos, na verdade, falaram mais alto do que as questões pessoais, sendo, no entanto, de lamentar, a meu ver, que tenha transitado da assembleia de freguesia para o novo executivo, o principal incendiário do confronto político ao longo de meses. Mas cada um saberá as linhas com que se cose…

Como pontos negativos do acto solene, transmitido em directo, devo assinalar: o reconduzido presidente do Executivo, fez, do acto de instalação um desnecessário comício político e apologia da sua pessoa e obra, aproveitando para farpear Manuel Machado (é muito fácil bater num homem caído, embora essa prática já tenha sido aplicada no caso do ex-autarca de Botão), assumindo ao mesmo tempo que para si a política não passa de um jogo, pois afirmou que a compra do autocarro na semana de campanha para servir as colectividades fora «a bisca de trunfo». Também lamento que não tenha sido dada a palavra a ninguém da oposição, sinal de que o espírito democrático tem muito caminho para percorrer em Souselas e Botão.

Lamento, também, que nesta instalação não se tenha respeitado a lei da protecção de dados, pois toda a gente ficou a conhecer a morada, CC e NIF dos eleitos.

Gostei, particularmente, do discurso político do novo presidente de Assembleia de Freguesia, Carlos Traguedo, militar na reserva, que apelou ao respeito entre todos e espírito de união, garantindo que a condução dos trabalhos e documentos de suporte serão norteados pela lei, o que, para bom entendedor, de certa forma quer dizer que até à data o não teriam sido – facto que para mim não constitui nenhuma surpresa.

Por fim deixo aos elementos do Somos Coimbra um ponto de reflexão: o reconduzido presidente afirmou que este movimento político nasceu, na verdade, com a sua candidatura independente em 2013. Ora, como é sabido, o Somos Coimbra apareceu em 2017, ano em que apoiou o movimento independente de Souselas e Botão, pelo que não bate a bota com a perdigota. Será que estamos perante aquela frase bem conhecida de John Kennedy, segundo a qual «a vitória tem muitas mães»?

Vamos servir a União de Freguesias de Souselas e Botão. Estaremos muito atentos a quem tentar dela se servir.

(*) Historiador e investigador