Coimbra  16 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

José Belo

Autárquicas: Quem se meter com Coimbra “leva”

16 de Junho 2017

1 – Vêm aí, a 01 de Outubro, as próximas eleições autárquicas.

Será um óptimo começo se se puder constatar que os candidatos pensam, em primeiríssimo lugar, que, na política, tudo vem depois das pessoas… E que a campanha possa ser a confirmação de que o Poder Local e as eleições constituem a verdadeira celebração da política, naquilo que ela tem de melhor: proximidade, transparência, cumplicidade com os eleitores e participação cidadã. É isso que o dia 01 de Outubro merece.

Trata-se, portanto, de uma período muito responsabilizante para quem aspira a governar Coimbra e o concelho, nos próximos quatro anos.

É que há desafios enormes no horizonte. Há tanta coisa a fazer para afirmar a competitividade de

Coimbra, tocando nas várias dimensões que a influenciam.

2 – Não tenhamos dúvidas de que, se não formos capazes de andar para a frente, significará, mesmo, andar ainda mais para trás.

Daí que o voto de cada eleitor, que é a expressão de um poder de soberania, consubstancie a enorme responsabilidade de escolher quem nos vai governar, com base num projecto político e governativo localmente apetecível.

Resulta, claro, que cabe aos candidatos convencer as pessoas, de forma afirmativa, que são estrategistas, que têm capacidade de assegurar a boa e clara governação das políticas públicas, fazendo-o através de uma agenda inovadora, pragmática e mobilizadora que saiba manter debaixo de mira aquilo que é essencial: as necessidades, ambições e os problemas das pessoas; de que serão «guerreiros» a lutar contra o patológico centralismo de Lisboa e do Porto, afirmando, em cada momento, que “quem se meter com Coimbra leva”; de que não receiam comparações ao seu rigor, dedicação, qualidade cívica e política, competência, mérito, sentido de medida e, sobretudo, bom senso.

3 – A procissão só agora está a sair do adro.

Todos os candidatos pensam, naturalmente, que podem ganhar este acto eleitoral.

Mesmo assim, arrisco-me a antecipar, que, sem coerência, sem rumo certo, sem um projecto galvanizante, sem talento político para desenhar a esperança de um futuro melhor para os nossos

concidadãos, não estão reunidas as condições para alguém poder sonhar com a eleição ou reeleição.

E diga-se, desde já, na opinião de quem assina este texto, que também é preciso ter em conta os ventos novos e diferentes, que sopram, por todos os lados, no espaço político.

Também sabemos que os cidadãos eleitores sabem usar o seu voto. Com critério e responsabilidade.

Têm-no mostrado, ao longo dos sucessivos actos eleitorais, votando, até, cada vez menos, em

sinal de desencanto e cansaço.

Acresce, ainda, que ninguém de bom senso pode dar de barato, que seja qual for o partido de referência, talvez com a excepção do PCP, o grau de fidelização partidária dos votantes em eleições locais é muito diferente do das outras eleições, sendo as votações muito em função do candidato a presidente de Câmara.

Aliás, os exemplos são muitos por esse país fora, sobretudo quando alguns candidatos conseguem ser capazes de não sacrificar à dispersa poalha de «ideiazinhas», cheias de certezas fáceis e de superficialidade, o debate à volta de grandes ideias e acções cujos capítulos essenciais assentam na resolução das questões mais importantes da vida das pessoas.

4 – Não estou a dar novidades, mas apenas a fazer meras constatações.

Portanto, aos candidatos só resta entender o que está a acontecer e porquê; mas também acertar o passo com ideias modernas, sabendo “puxar a carroça” da região Centro, com programas bem estruturados, a olhar para lá dos muros concelhios, capazes de atrelar as vizinhanças e competir nos diversos rankings das cidades da vizinha Espanha com compromissos sérios a 10 ou mais anos, se necessário.

Arrisco-me a antecipar que, se os nossos eleitores sentirem que os partidos e os movimentos

independentes vão mesmo pôr os munícipes e a região Centro à frente de tudo e as ideias à frente dos nomes, poderemos ter “casa bem composta”, num desejável envolvimento cívico, no dia das eleições.

A concluir, assinalo que será muito importante o «convívio» crítico dos candidatos com os eleitores

para estes aquilatarem ao que eles vêm, porque já ninguém compra o dogmatismo das certezas

fáceis e todos sabem que o grande mérito das boas empreitadas é o de não suscitarem indiferença e passividade. Bem pelo contrário.

Mas, no fim, o que é preciso é que «a carta chegue a Garcia» e que, por respeito por quem vota, por Coimbra e pelas suas gentes, quem ganhar saiba cumprir, com a verdade inteira, as promessas que fez. Será o mínimo.

(*) Vereador do PSD na CMC

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