Coimbra  24 de Julho de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Rui Avelar

Autárquicas: Coimbra estará doente?

9 de Março 2017

São de inquietante simbolismo as candidaturas de dois médicos à presidência da Câmara Municipal de Coimbra, Jaime Ramos e José Manuel Silva, que aspiram a apear Manuel Machado.

Não se trata de gracejar com o assunto. O facto de se candidatarem dois médicos, com provas dadas, não deixa de ser um aspecto sintomático quanto ao diagnóstico acerca do rumo da liderança municipal de Manuel Machado (PS), que se perfila para quinto mandato (cumpriu três de 1990 a 2001 e um de 2013 a 2017).

Que tem para proporcionar aos munícipes de Coimbra um autarca prestes a completar 23 anos de vida camarária?

Globalmente, o desempenho do líder do Município conimbricense deixa muito a desejar. Se, como creio, a melhoria do acesso à estação ferroviária de Coimbra – B é a obra emblemática da presente Câmara, está tudo dito.

Por outro lado, Manuel Machado lida muito mal com o escrutínio a que tem de ser sujeito, dando sinais de que, para ele, a aplicação das regras democráticas envereda pela suspensão de cada vez que é (re)eleito.

Quando o PS/Coimbra se limita a acenar com mais do mesmo, isso é manifestamente pouco.

Acresce que, paradoxalmente, as duas candidaturas de médicos, Jaime Ramos (PSD, apoiado pelo CDS/PP e pelo PPM) e José Manuel Silva (independente), poderão ser o «seguro de vida» de Manuel Machado.

O cenário emergente poderá ter como desfecho a eleição de um presidente de Câmara rodeado de três vereadores do respectivo elenco de potenciais autarcas, significando isso a repartição de sete mandatos pelas forças da oposição. A tal cenário não é alheia a abundância de candidaturas (a par das três referidas, haverá ainda, pelo menos, a do movimento Cidadãos por Coimbra, a da CDU e a do PNR).

Neste contexto, elucidativo acerca da perda de influência dos partidos, há uma pergunta que se impõe. Consiste ela em questionar se o diagnóstico a que Coimbra tem de ser sujeita é compatível com a abundância de candidatos.

Devido à área ideológica de que Ramos e Silva são oriundos, o primeiro é o potencial líder da CMC que se arrisca a perder mais votos devido à candidatura do outro médico.

Acresce que não consigo imaginar o que seria a principal autarquia de Coimbra com Machado ao leme de uma maioria camarária ainda mais relativa do que a actual.