Coimbra  17 de Junho de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Ascensor

7 de Maio 2021

Vai a subir

Na semana passada vieram boas notícias para todos nós, portugueses de gema, sofredores, trabalhadores, honestos, humildes. Embora na cauda da Europa, mostrámos que somos capazes de aguentar o impacto de uma pandemia terrível, e estamos quase livres do bicho que por esse mundo fora vai dizimando os países mais vulneráveis – os mais populosos, menos organizados, do dito terceiro mundo, onde se vem desenhando uma tragédia à escala global.

Acabou, por agora, o fim do estado de emergência, fruto de um investimento governamental em formação, em educação para a saúde, e de uma campanha de vacinação que nos deve orgulhar. Isto prova que o nosso sistema de saúde é confiável, que o SNS tem de continuar a ser defendido, que os nossos profissionais são de uma entrega e dedicação à causa da saúde pública ao nível do melhor que existe no planeta.

Como português estou orgulhoso, uma vez mais, do meu país. Agora é preciso acreditar no desconfinamento, mantendo a vigilância e não baixando a guarda. Afrouxar, como se viu no Natal, trará um recrudescimento da pandemia, e isso não pode acontecer, em prol de uma economia em crise, e de um país que não se deseja adiado à beira do verão – e que vive, em considerável escala, das mais valias turísticas.

Vai a descer

Uma nota triste para a politização na minha união de freguesias. Ser candidato, disponibilizar-se para a causa pública é, para alguns, um crime lesa-pátria. Como se existisse na minha vida alguma ponta por onde pegar, a não ser trabalho, trabalho, e mais trabalho. Convençam-se meus caros: fui, sou e serei um homem de trabalho, um lutador, um cidadão no pleno gozo dos seus direitos, humilde, sem cadastros, que aceitou com honra uma missão que lhe foi confiada – defender a sua terra e as suas gentes.

Vai, também, a descer, a forma como o desporto e a comunicação social continuam desalinhados. Se é verdade que aquilo que se passou em Moreira de Cónegos é vergonhoso para os directamente envolvidos, também não é menos verdade que todos têm telhados de vidro, mesmo os que decidiram atirar a primeira pedra. A memória não pode ser curta quando dá jeito, e larga quando não dá. O problema não é de hoje, não nasceu no norte ou no sul, está na nossa veia de latinos com sangue quente, independentemente, da cor clubística. Mas, obviamente, que isso não serve de justificação: dirigentes, adeptos e jornalistas, têm de cumprir as regras de um estado de direito.

(*) Historiador e investigador