Coimbra  15 de Julho de 2024 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Carlos Albuquerque

As oportunidades de investimento em África e no Brasil

13 de Abril 2024

A presença num excelente evento de desenvolvimento económico, a convite da organização para palestrar e visitar um conjunto diversificado de entidades públicas e privadas, permitiu-me assistir a um conjunto alargado de propostas, resultante da participação de 46 países, de acordo com a organização.

A preponderância da presença de muitos países africanos, a juntar ao forte ecossistema empresarial e institucional do Brasil, em particular do Estado de Santa Catarina, São Paulo e Paraná, tornou este certame, num espaço privilegiado de negócios, empreendedorismo e atracção de investimento.

As oportunidades são reais e existe muito e diversificado caminho para chegar ao objectivo de tornar o nosso território competitivo nas diversas áreas. A percepção de todos os que estiveram presentes, sobre a notoriedade de Coimbra é uma vantagem inequívoca. Desde logo à cabeça, a Universidade de Coimbra e a sua riquíssima história e capacidade de produzir talento, mas também a transferência de conhecimento no interface com as empresas, nos diversos estádios de desenvolvimento, seja através da UC Business ou do IPN-Instituto Pedro Nunes. Todas as outras Instituições de Ensino Superior existentes têm o seu lugar no Ecossistema de Coimbra, sendo que o papel determinante da Câmara Municipal e da iParque na liderança deste, transporta Coimbra e o seu vasto território, onde se incluem todos os concelhos da região, para um patamar de elevada expectativa, por todos os que fomos abordando e que nos fizeram questão de contactar.

Coimbra tem este desafio enorme de criar condições de instalação de empresas, porque a geração de oportunidades de investimento corre muito bem e é necessário corresponder às expectativas referidas.

Não estamos sozinhos

Mas não estamos sós neste mundo muito competitivo, de captação de investimento. Há países a trabalhar muito bem, na estratégia de promoção dos seus territórios como destino de investidores e investimentos nas diversas áreas. E já não estamos a falar só de empresas básicas de produção, países como o Quénia e Angola, para além do Brasil, estão a apresentar propostas muito “agressiva” em domínios como a inovação tecnológica, conhecimento científico e tecnologia de ponta em diversas áreas empresariais. A oportunidade de ouvir e ver as propostas do Embaixador do Quénia e do Celso Borja, responsável pela ZEE – Zona Económica Exclusiva de Angola, gera a convicção de que estes países estão a gizar o caminho certo na diversificação da base produtiva dos seus países, abandonando a primazia única do petróleo como riqueza exportável e geradora de fundos importantes no desenvolvimento económico e social. Vamos ouvir falar muito destes protagonistas nos próximos tempos. A par do Brasil tecnológico e inovador que está a dar passos seguros, como são o exemplo de mais de 30 Centros de Inovação no Estado de Santa Catarina.

Devemos fazer o nosso trabalho bem feito, porque com todo o potencial que temos, seria uma crime não aproveitarmos as condições excepcionais que dispomos a curto e a médio prazo.

(*) Doutorando e investigador