Coimbra  16 de Junho de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Artur entre Paredes, na RTP

16 de Fevereiro 2021

A RTP exibiu um documentário de autoria de Ivan Dias, ontem à noite, sobre pedaços da Vida e da Obra de Artur Paredes.

Um trabalho sério, histórico e recordativo da figura de um dos mais surpreendentes guitarristas que nasceu em Coimbra no seio da classe operária-trabalhadora, os futricas, mas que se soube agigantar na Academia.

Várias personalidades da música traçaram-lhe o perfil, sendo afirmado que, e como se sabia, era um feitio retorcido. Octávio Sérgio, a respeito: “Não se mostrava. Recatado. Era um artista fora de série, mas acessível, terra-a-terra e de personalidade forte. Senhor de si próprio. Uma pessoa que falava, através da guitarra”.

Artur era, no qualificativo de todos, um génio desse instrumento. Exibiu uma técnica muito evoluída e apurada. O instrumento cativou-o e ele enamorou-se por ele, estudando-o e fornecendo ideias para a sua construção mais digna, que se traduziu num outro som.

O folclore – assinalou o estudioso e reconhecido tocador de mérito do mesmo instrumento Paulo Soares, para os amigos o Jójó – serviu-lhe de inspiração e foi ganhando espaço no Fado, o de Coimbra.

As guitarras de Artur Paredes, por ele as ter concebido, às que teve, construídas pela família Grácio, acabaram por ter uma maior sonoridade, mais ampla e agressiva – refere quem sabe.

A escala, a ilharga do instrumento, as cordas e pormenores de cada guitarra eram estudadas por Artur que, e segundo Gilberto Grácio, as observava, as suas, as que tocava com primor, ajudado por uma lupa. Olhava-as, para as ter mais próximas de si e do seu coração de tocador.

Para Paulo Soares, Artur tinha um balanço muito próprio a tocar e a sua força do dedilhar estava adornada no formato arredondado da “unha”, para além de outros pormenores mais sofisticados para os que sabem de música.

A guitarra, a portuguesa, é hoje o que é – comentou o saudoso Prof. Pinho Brojo – um instrumento sonoro e vibrante porque se deve à verdadeira Escola de A. Paredes.

Mas Artur Paredes, segundo os seus estudiosos, não está completamente descoberto. Falta saber mais e redescobrir algumas das suas virtudes guitarristas.

Carlos Paredes, o filho, foi a continuidade do pai, porque quem sai aos seus… diz o povo e bem.

Recordou-se no Programa, que deixou apontamentos de composições de Artur Paredes, o professor Jorge Gomes, um voluntarioso e amante da guitarra de Coimbra que foi um continuador do legado de A. Paredes, através de uma escola, ajudando a ensinar.

Artur Paredes, um futrica que a Academia adoptou como um dos seus mais sublimes tocadores de guitarra, bancário de profissão teve na esposa, docente de história, uma companheira que o soube admirar e valorizar.

Artur Paredes foi um dos maiores génios portugueses da nossa guitarra e pouco se disse, ainda, sobre a sua História e da sua Vida. Será impossível, para os que são catedráticos na matéria, de o copiar ou de sequer reproduzir, com genuinidade, grande parte da sua obra. Se Amália nunca cantava das mesma maneira; A. Paredes nunca tocava igual.

O Programa da RTP deixou-nos uma palete de apontamentos de extrema relevância que nos serviu, deixando-nos o apetite de querermos saber mais, no futuro.