Coimbra  20 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Mário Carvalho

APIN: Não bate a bota com a perdigota

23 de Março 2020

A APIN que engloba 11 Municípios é uma empresa inter-municipal que foi constituída recentemente com o objectivo de, ganhando escala e unindo esforços e captando recursos, levar a cabo o empreendimento de melhorar a rede de saneamento e distribuição de Água às populações.

Sendo constituída exclusivamente por capitais públicos dela fazem parte os Municípios de Alvaiázere, Ansião, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Lousã, Pampilhosa da Serra, Pedrogão Grande, Penacova, Penela e Vila Nova de Poiares.

A sua Missão, Visão e Estratégia são apresentadas assentes em 5 princípios fundamentais que passamos a citar: promover a qualidade do serviço prestado, potenciando a satisfação dos clientes; aumentar a eficiência operacional, mantendo proximidade com os utilizadores; garantir equidade entre os utilizadores, sendo socialmente responsável; privilegiar a economia circular: redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia; fomentar uma cultura de inovação, desenvolvimento e de melhoria contínua.

Assim sendo, face às carências e debilidades que o Interior e os Territórios de baixa Densidade apresentam relativamente ao Litoral e Grandes Centros Urbanos a ideia, num primeiro momento, parece encontrar força e suporte face às pretensas intenções de melhorar a qualidade de vida das populações.

Até aqui tudo corria bem até ao momento da chegada e recepção da primeira facturação com os novos tarifários onde os cidadãos em muitos casos viram-se confrontados com aumentos significativos relativamente ao que pagavam.

Obviamente que o progresso tem custos, obviamente que hoje em dia é preciso gerir recursos cada vez mais escassos de outra forma, mas ao mesmo tempo compreender que para fixar “gentes” em territórios já de si carenciados é preciso encontrar pontos e pontes de equilíbrio que ao mesmo tempo que permitam o desenvolvimento não sobrecarreguem aqueles que são sempre chamados a pagar, os cidadãos.

Como resultado, as populações saíram à rua em protesto contra o tarifário praticado que culminaram com manifestações junto das Autarquias e Autarcas que as governam. Levando mesmo a que para o caso de Penacova o ajustamento tenha sido a decisão de sair.

Devendo estar obviamente as Autarquias empenhadas na promoção do bem-estar das populações que representam, talvez, e mais do que a preocupação em não perder votos, fosse sentarem-se novamente à mesa e voltar a discutir e limar um projecto que nas suas intenções parece bom, por fazer ganhar escala, unir esforços, trazer força, desde que obviamente a água não seja encarada como um qualquer outro bem transacionável, mas sim como um bem-comum de grande valor patrimonial que deve ser defendido e bem gerido.

Sabemos hoje pelos valores excessivos que pagamos no que deu a privatização da Luz e dos Combustíveis.

Não queiramos fazer o mesmo com a água!

Nota: a posição de “abstenção” em sede de executivo pelas dúvidas supra-citadas apenas vinculam o vereador e não os Deputados em Assembleia Municipal nem o Órgão de Coordenação local do PS.

* Vereador do PS em Penela