Coimbra  14 de Maio de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Apalhaçar da política – é preciso dizer basta

30 de Abril 2021

No passado dia 25 exaltei os valores de Abril de formas diversificadas. Dei um pulo ao Centro Social da Marmeleira, participando na iniciativa de take-away, fiz-me sócio, com muito gosto e honra, e disponibilizei-me a ajudar em tudo que fosse necessário, na qualidade de historiador e também de candidato à união de freguesias.

Almocei, rodeado de amigos, e fui gerindo, na nossa página do Facebook, os testemunhos de antigos combatentes no ultramar, que tanto deram de si pela pátria, pela nação, pela mudança de rumo e ideal de Abril.

Pela manhã, dei um pulo à iniciativa dos actuais gestores políticos da união de freguesias, que ao abrigo de um comunicado à população, decidiram prescindir de iniciativas no território que administram, promovendo um número circense em frente da Câmara Municipal de Coimbra, protestando contra a proposta de delegação de competências apresentada pelo actual executivo camarário, fazendo um ultimato e ameaçando acampar nos paços do concelho.

Se entendem que a razão lhes assiste fizeram muito bem em protestar, mais não seja para mostrar que estão vivos e que talvez uma parte da população alinhe no engodo.

Importa, pois, desmistificar este apalhaçar da política: em 18 freguesias 16 assinaram os protocolos e não consta que nenhum presidente tenha assinado qualquer documento sob ameaça de fuzilamento.

O dinheiro faz falta, e nos tempos que correm ainda mais, com a qualidade de vida e bem estar dos habitantes da união de freguesias a degradar-se de dia para dia. Porém, o que importa é… acampar (cuidado com as normas da DGS).

Apetece-me perguntar: qual o estado das finanças da união de freguesias? Estarão assim tão ricos para abdicar de milhares de euros, que nem eles sabem quantos são ao certo? (umas vezes afirmam que são 40.000 euros, outras 50.000, outras perto de 100.000 euros).

Afirmam não terem dinheiro para pagar salários aos funcionários, mas então o que andam a fazer ao fundo de financiamento das freguesias sendo que os funcionários passaram a fazer parte do quadro e vem do E uma verba directamente para eles? Não me digam que estão a guardar o dinheiro que recebem – e não é assim tão pouco meus amigos – para promover obras eleitoralistas de última hora. Ridículo se assim for.

Cuidado que o povo não é burro. Virar as costas aos problemas da união de freguesias para promover estratégias pessoais de poder é muito triste, e mostra que para alguns, vale mesmo tudo. Empunharam, por exemplo, a bandeira da expansão dos transportes dos SMTU C à união de freguesias, como se fosse uma luta sua, quando ela é, essencialmente, uma luta do povo que vem dos anos 90, e que remonta ao tempo do autarca José Figueiredo, “excomungando-o” do processo e da verdade histórica.

Depois do acampamento o que nos espera? Montanhismo no esquecido baldio da Mata de S. Pedro? Descida do Rio de Botão até à desprezada praia fluvial do cubo? Uma prova de todo-o-terreno pelos caminhos rurais intransitáveis e sujos de uma área agrícola por excelência?

É preciso dizer basta a este apalhaçar da política, que afasta as pessoas da respublica, da participação, da inclusão, da esperança, e até do ideário de Abril.

(*)Historiador e investigador