Coimbra  21 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Avelar

António Arnaut era “a matriz” do PS

22 de Maio 2018

Generoso, probo e corajoso, António Arnaut, criador do Serviço Nacional de Saúde (SNS), era “a matriz” do Partido Socialista, de que ele foi co-fundador.
Em Agosto de 2015, quando António Costa rumou a Coimbra para, no âmbito da campanha das eleições legislativas, prestar homenagem ao SNS, uma actual governante confidenciou-me que vários candidatos a deputados só nessa ocasião, ao escutarem António Arnaut, compreenderam a génese do Partido Socialista.
De resto, a escolha do advogado e escritor por parte do PS para seu mandatário nacional visou conferir “simbolismo à importância do Serviço Nacional de Saúde”, reconheceu o líder do partido.
Investido na missão de mandatário nacional do PS no âmbito da campanha das mais recentes eleições legislativas, António Arnaut arrebatou dezenas de candidatos a deputados socialistas à Assembleia da República.
O advogado e escritor evidenciou a generosidade, competência e coragem de que era possuidor, sendo justo realçar, ainda, o exemplo de probidade proporcionado pela sua vida, de mais de 80 anos.
Num registo pedagógico, à altura de doutor “honoris causa” da Universidade de Coimbra, e, simultaneamente, arrebatador, como era seu timbre, o poeta impressionou, sobretudo, os então mais jovens potenciais parlamentares do PS.
“Antes de ser uma ideologia, o socialismo democrático é uma ética”, afirmou o outrora mandatário nacional do Partido Socialista.
O jurista recomendou ao líder do PS, António Costa, que juntasse “utopia (capacidade de sonhar) à economia” e, no pressuposto de uma vitória eleitoral do partido, propôs-se prosseguir no papel de mandatário para lá de 04 de Outubro [de 2015], agindo como “intérprete das aspirações do povo”.
“Sou mais exigente com o Partido Socialista”, de que foi co-fundador, do que com os partidos de Centro-Direita (PSD e CDS/PP) que estiveram no poder, disse António Arnaut, frequentemente interrompido por aplausos genuinamente espontâneos.
A 28 de Agosto de 2015, Coimbra foi uma lição, graças a António Arnaut.

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