Coimbra  6 de Março de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Ângulo Inverso: Um vírus que também (não) vota

18 de Janeiro 2021

votos

Estas eleições para Presidente da República vão ficar na história, por terem mais um “candidato”: a covid-19. Os portugueses terão mais uma razão para se absterem, refugiando-se no argumento do confinamento com o receio de apanhar o vírus.

Esta é a 10.ª vez que mais de 10 milhões de eleitores são chamados a escolher o Presidente da República em democracia (desde 1976), mas apenas a terceira vez nestas eleições que duas mulheres constam do boletim de voto.

Com o país a viver sob medidas restritivas devido à pandemia, tornou-se mais interessante ver como os sete candidatos contornam (ou não) os obstáculos. Muitos ficam quase a falar sozinhos, olhando para as câmaras, desejando que bastantes os vejam na TV, ou na Internet, através das redes sociais.

Os debates, esses, mais pareciam que os candidatos estavam a disputar um lugar no Governo, do que o da Presidência de um país, com todas as diferenças que parecem desconhecer, falando em minudências e esquecendo-se de apresentar ideias e um rumo estratégico. Quase comentando os comentadores e as notícias diárias dos jornais.

Este é um país onde, conforme alertas os directores escolares, existem alunos que vivem em zonas onde a TvDigital não chega nem há Internet, assim como há escolas onde a banda larga é insuficiente para que as aulas decorram com normalidade. E até há escolas onde a tecnologia teima em não entrar, sem rede para os telemóveis funcionarem.

Como diz Carlos Louro, não se esqueçam dos alunos que não vivem nas grandes cidades, porque uma coisa é o que se passa em Lisboa ou no Porto, mas depois existe esta outra realidade das terras do Interior.