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Luís Santos

Ângulo Inverso: Se Portugal fosse como… Coimbra

12 de Dezembro 2019

Coimbra rio e universidade

Basta pegar em qualquer indicador e verificamos quanto um pequeno país, como Portugal, tem enormes diferenças no seu seio, que bastava este argumento para verificar os desequilíbrios e acentuar a necessidade da regionalização.

O curioso é quando uma região, num determinado item, consegue bater a área metropolitana de Lisboa e também do Porto. Espantam-se as sensibilidades capitais ao perceberem que noutros locais se faz bem, ou melhor.

Vem isto a propósito do relatório internacional PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que avaliou os conhecimentos dos alunos de 15 anos de 79 países e economias diferentes. Na Leitura, a principal das três áreas-chave analisadas (além desta, Matemática e Ciência), Portugal atingiu o 24.º lugar no ranking internacional.

Mas, conforme notou a jornalista Catarina Reis, do Diário de Notícias, caso Portugal fosse desenhado apenas à imagem dos resultados da região de Coimbra, subiria cerca de 15 lugares na literacia de leitura, passando para os primeiros 10 lugares. Ficaria, assim, ao nível de países como a Coreia e a Irlanda, mesmo abaixo da Finlândia, uma referência mundial no campo da educação.

Isto porque a região de Coimbra foi aquela que registou a melhor média nesta área de análise (516 pontos) – próximas destes dois países, com 514 e 518 pontos, respectivamente -, 24 pontos acima da média nacional (492).

Mas Coimbra também foi a melhor na Matemática (523), ao nível de Estónia – em 8.º lugar no ranking – e na Ciência arrecadou 517 pontos, igualando Hong Kong no 9.º lugar.

Como explicar este “fenómeno”? Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) declarou: “Já é tradicional ter a região de Coimbra no topo. Diz-se que é nesta região que se fala melhor português, onde os alunos costumam ter melhores resultados académicos e que as famílias são academicamente e culturalmente mais bem formadas. E o ar da mais antiga Universidade deve dar alguma ajuda. Além disso, em 2018, era em Coimbra que estava a segunda melhor escola do país de secundário (Colégio da Rainha Santa Isabel), a melhor pública a nível nacional (Escola Secundária Infanta D. Maria) e nove das escolas do top 100 desta lista”.

Claro que surgiram logo os detractores. Uns dizem que isto é apenas estatística e outros que Coimbra é a “cidade dos doutores”…

 

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