Coimbra  7 de Maio de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Luís Santos

Ângulo Inverso: Saúde em Coimbra escondida pela pandemia

26 de Março 2021

A Câmara de Coimbra tem agora pronto e publicado (336 páginas) o Perfil Municipal da Saúde, considerado um instrumento estratégico e de orientação das políticas municipais na área da saúde, tendo como objectivo fundamental promover a saúde da população e reduzir as desigualdades em saúde, fruto dos determinantes e condições dos lugares onde as pessoas nascem, vivem, trabalham e envelhecem.

Este foi um trabalho iniciado em Março de 2020, em tempo de início da pandemia do novo coronavírus, mas nada tem a ver com o covid-19, sendo sim um retrato do estado de saúde da população residente em Coimbra (que saúde tem, de que doenças sofre, quais são as causas de morte) e das condições dos lugares de residência que influenciam a saúde e o bem-estar.

Num concelho com muitos Hospitais, Clínicas e médicos, há outra realidade em termos de saúde, conforme apontou a vereadora Regina Bento. “Se descemos para a análise por freguesia começamos a detectar alguns dados preocupantes, reveladores das tais desigualdades em saúde que queremos combater”, refere, para dar exemplos. A Freguesia de Brasfemes aparece com os piores resultados nos indicadores “mortalidade por causas sensíveis aos cuidados de saúde”, “mortalidade por tumores malignos” e nos “internamentos evitáveis por prevenção primária” e a Freguesia de Torres de Mondego aparece com o pior resultado no indicador “mortalidade evitável por causas sensíveis à prevenção” e “mortalidade evitável sensível ao consumo álcool”. Estas são as duas únicas freguesias do concelho onde não há oferta de cuidados de saúde, nem Centro de Saúde, nem sequer Farmácia.

A União de Freguesias de Souselas e Botão apresenta o pior resultado no indicador “mortalidade por acidentes de tráfego rodoviário”, o que coincide com a perceção da população em termos de segurança pública, e também encontramos o pior resultado no indicador “mortalidade por diabetes mellitus”.

Como bem concluiu o movimento ‘Somos Coimbra’, muitas das conclusões que este relatório apresenta são particularmente preocupantes e colocam a nu as inúmeras fragilidades sociais do concelho de Coimbra, que urge resolver e das quais certamente muitas pessoas não teriam a mínima ideia.