Coimbra  9 de Maio de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Ângulo Inverso: Quando a casa está a arder…

22 de Janeiro 2021

Se a fogueira já estava a arder, a informação de que Portugal já tinha a nível mundial o maior número de casos por milhão de habitantes pegou fogo à casa.

Os números de infectados e mortes por covid-19 começaram a subir e revelaram a “prenda” que faltava receber do Natal, após os Reis. A liberdade concedida em tempo de reunião familiar não foi compreendida pelas restrições impostas por ocasião do Ano Novo e os resultados estão à vista.

Todos os actos individuais e colectivos irresponsáveis reflectem-se, agora, nos Hospitais, que estão numa situação de calamidade e já a enfrentar a escolha de quem terá, ou não, os meios para sobreviver.

Mais uma vez só quando a casa está a arder é que o Governo vem a terreiro mostrar que toma medidas, fazer crer que está a controlar a situação, e que a culpa é do mau comportamento dos cidadãos (também é), quando o sinal que deu era de descompressão.

Como nos incêndios de 2017, no caso de Tancos, na situação do SEF, o Governo é politicamente responsável, assim como acontece no controlo e gestão da pandemia de covid-19. Por mais que nos queiram fazer crer olhou-se sempre para a parte final, de assistência hospitalar, descurando a componente de saúde pública.

Perdeu-se o rasto aos casos e o contágio foi por aí fora, sem acções concretas e coordenadas, mesmo em relação aos lares de idosos, chegando-se ao cúmulo de só se saber da situação caótica quando todos os residentes estão infectados!

Conforme alerta a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, o único instrumento que o sistema de Saúde tem para controlar a pandemia – o rastreio activo de contactos – deve ser, de uma vez por todas, capacitado em termos de meios humanos, seguindo as instruções da Organização Mundial da Saúde e do Centro Europeu de Controlo de Doenças.

Quando há um incêndio tem de se recorrer a todos os meios para o atenuar e extinguir, antes de se saber as causas. Mas aqui (covid-19) o fogo já cá estava e era uma questão de saber controlar as chamas. Não vai lá com o proíbe e não proíbe. E o Estado de Emergência entrou em descrédito.