Coimbra  19 de Abril de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Ângulo Inverso: O que se espera de 2021

8 de Janeiro 2021

2021

As nossas esperanças, em Março de 2020, eram de que a covid-19, tornada pandemia, se resolvesse com as medidas de confinamento tomadas e o ataque da saúde pública, para termos um Verão mais tranquilo e apaziguador.

A situação, com toda a calamidade que trouxe a nível social, da saúde e da economia e social, estendeu-se até ao Natal e passou o fim de ano, e vamos viver com a pandemia durante 2021, com tudo o que isso representa.

Se a palavra do ano de 2020 foi “saudade”, pelos tempos de liberdade que perdemos e o corte das relações sociais e familiares, a de 2021 deveria ser esperança. Mas os desafios são enorme.

A saúde vem em primeiro lugar, esperando-se que consiga responder às próximas vagas da pandemia e concretizar uma ampla vacinação para assegurar a imunidade de grupo até ao final do próximo Verão.

Deseja-se, igualmente, que o Serviço Nacional de Saúde comece a recuperar as necessidades das pessoas com outras patologias, deixadas para trás pelo concentrar de atenções na covid-19. Se desde o início da pandemia, Portugal já registou ultrapassou 7 000 mortos e 400 000 casos de infecção pelo vírus SARS-CoV-2, a isto há a somar um excesso de mortalidade, desde Março de 2020, não inferior a 8 000 vidas.

Como não há mal que não venha só, a covid-19 veio pôr a descoberto uma dura realidade portuguesa. O Estado identificou, no ano passado, 788 lares de idosos ilegais a associação destas residências diz que os lares ilegais deverão ser 3 500.

Como já assinalou Eduardo Cintra Torres, “isto faz parte de um quadro societal em que o Estado permite, propositadamente, os lares ilegais, por não ter meios para garantir a institucionalização dos mais velhos e para impedir que entupam os Centros de Saúde e Hospitais”. “Alguém imagina que o Estado permitiria este ‘laissez-faire’ se se tratasse de 788 supermercados ilegais? Ou 788 cinemas ilegais? Ou 788 clínicas ilegais? Ou 788 escolas ilegais? Ou 788 canais de rádios e TV ilegais? Ou 788 escritórios de advogados ilegais?” – questiona, com toda a razão.