Coimbra  26 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Avelar

Ângulo inverso: O óptimo é inimigo do bom…

15 de Março 2019

Uma notícia acabada de divulgar pela Agência Lusa deve fazer reflectir muitos dos protagonistas da vida política em Coimbra, cuja frequente pecha consiste na dificuldade de interiorizarem que o óptimo é inimigo do bom.

Do meu ponto de vista, é desejável que a “lição” proveniente de Aveiro e de Águeda modere a típica característica conimbricense de inclinação para o diletantismo. A narração que se segue remete para um cenário de pragmatismo pouco (ou nada) visível em Coimbra.

Diz a notícia que autarcas de Aveiro e de Águeda vão firmar um compromisso para desenvolver uma nova ligação rodoviária entre as duas cidades, prometida, há décadas, por sucessivos governos.

A denominada via rápida Aveiro /Águeda, cuja construção foi anunciada, em 2008, pelo então ministro Mário Lino, na vigência do primeiro Governo de José Sócrates, com descerramento de placa alusiva, nunca chegou a ser materializada, apesar de sucessivas «garantias» proclamadas por diferentes governos e de iniciativas parlamentares.

Os 22 quilómetros que separam as duas cidades implicam cerca de meia hora de viagem, ou mais, sendo que os empresários de Águeda não têm uma via franca de acesso à rede de auto-estradas e ao porto de Aveiro.

Autarcas dos dois municípios estão, agora, dispostos a deixar cair o perfil de via rápida, que nunca passou do papel, e a alterar o que está definido em diferentes instrumentos de planeamento, no sentido de admitir que a nova ligação Aveiro / Águeda possua perfil urbano em parte do percurso.

“Proximamente, esta matéria irá ser alvo da apresentação de um compromisso entre as duas câmaras municipais sobre o desenvolvimento desta operação, sob uma nova lógica de parte urbana e de parte não urbana”, revelou Ribau Esteves, presidente da Câmara aveirense.

Do lado de Aveiro, Ribau Esteves diz ter descoberto “o ovo de Colombo” com a alteração ao traçado que vai ser promovida, dando nova utilidade ao nó de S. Bernardo / Oliveirinha (da A17) e respectiva rotunda.

“A alteração que fazemos aqui é quase de ‘ovo de Colombo’ e é esta: temos o nó da A17 que possui uma densidade de tráfego muito baixa e com aquele nó fazemos a travessia de Sul para Norte e já estamos do lado de Eixo e Oliveirinha”, acentua o autarca.

Para Ribau Esteves, o traçado tal como estava não fazia sentido, obrigando, por exemplo, um pesado de mercadorias proveniente de Sul, com destino a uma das fábricas em Eixo, a prosseguir na A17 até ao nó de Esgueira e, depois, percorrer a EN 230 em sentido inverso.

“A dificuldade, dados os valores ambientais em causa, era transpor a Ribeira da Horta, mas escolhemos um traçado mais a Sul, o qual exige um viaduto bem mais pequeno, e, depois, prosseguimos até chegar ao concelho de Águeda”, assinalou o autarca em declarações à Lusa.

 

 

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