Coimbra  16 de Dezembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Ângulo Inverso: No país das maravilhas…

22 de Novembro 2019

País das Maravilhas

Como passa, Senhor Contente? Como está, Senhor Feliz? Diga à gente, diga à gente, como vai este país”. Muitos lembram-se desta rábula protagonizada por Nicolau Breyner e por Herman José, no programa no “País das Maravilhas”, nos idos anos de 1975 do século passado.

Esta rábula humorística sobre a política, adaptada aos tempos actuais, teria como protagonistas (conforme já escreveu José António Saraiva) Marcelo Rebelo de Sousa (Senhor Feliz) e António Costa (Senhor Contente).

Ambos tentam puxar por um mundo maravilhoso e feliz, mas, recorrendo ao que se tem dito e escrito no Brasil, mesmo antes de Bolsonaro, “o País vai bem, mas o Povo vai mal”.

Com Mário Centeno a governar para a Europa, apresentando estatísticas que consolam as instâncias financeiras, e colocam Portugal como um país de maior confiança (para quem empresta dinheiro), por cá os sinais são outros.

Como se pode estar “contente” e “feliz” quando, na Educação, as escolas debatem-se com a falta de auxiliares de acção educativa, ainda há alunos sem aulas a certas disciplinas e se anuncia a “passagem” de todos, numa linguagem técnica que utiliza a palavra retenção, para não falar claramente em “chumbos”.

Na Saúde, basta ver o que por aí se passa, nos hospitais, nos centros de saúde, com a falta de médicos, de enfermeiros, de técnicos, de medicamentos, com os doentes a sofrerem na pele o que os tecnocratas chamam “disfunções”.

Num país em que as obras se atrasam, paga-se para os bancos, a carga fiscal (com impostos indirectos) é das mais pesadas, os jovens têm de procurar emprego no estrangeiro e o território interior está cada vez mais entregue a si próprio, não há Web Summit nem paletes de turistas que escondam a realidade.

 

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