Coimbra  8 de Dezembro de 2022 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Ângulo Inverso: Mais vale ser do que parecer

14 de Janeiro 2022

Em política o que parece é, como sói dizer-se, e para ser verdade e não apenas assemelhar-se, o melhor será mesmo pôr tudo em pratos limpos.

Quem trouxe este assunto para cima da mesa foi a associação Frente Cívica, que pede numa carta enviada aos partidos políticos que publiquem antes das eleições Legislativas de 30 de Janeiro os conflitos de interesses dos seus candidatos e indiquem de que forma farão o controlo e fiscalização.

“São inúmeros os exemplos de deputados, de vários partidos, que têm simultaneamente assumido funções parlamentares e funções sociais ou profissionais em áreas conexas com a sua actividade política” e “têm manchado a vida política nacional”, dado que de uma forma real, potencial ou aparente, “descredibilizam a política e geram justificado alarme social” – refere a associação.

Na óptica de mais vale prevenir do que remediar – as questões levantam-se quando já são deputados da Assembleia da República e lá se tem de pronunciar a Comissão de Ética – a Frente Cívica pede aos partidos que publiquem nos seus ‘sites’ e em eventuais ‘sites’ de candidatura na Internet quais os interesses profissionais, patrimoniais, associativos e outros, de cada um dos seus candidatos a deputados.

Em vez de todos encherem a boca, nos debates pré-eleitorais, com o combate à corrupção, enquanto assobiam para o lado, estas são boas medidas para pôr em prática e não precisam de se elaborarem novas leis.

Recorde-se que o último “Eurobarómetro da Corrupção”, publicado pela Comissão Europeia, não só 91% dos portugueses inquiridos consideram que a corrupção é um problema comum no nosso país, como apontam os partidos políticos e os titulares de cargos políticos a nível nacional, regional e local como as instituições mais corruptas (ex aequo, com 70%)”.