Coimbra  8 de Maio de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Ângulo Inverso: Há muitos que se chegam…

29 de Janeiro 2021

Ser reeleito Presidente da República ao vencer todos os concelhos do país dá a Marcelo Rebelo de Sousa ainda mais responsabilidades e demonstra que a maioria dos portugueses não vai em extremismos, demonstrando saber o que quer.

As eleições de domingo registaram a maior taxa de abstenção em presidenciais (60,5%), uma quebra de cerca de 475 mil votos face a 2016, mas isto em nada desvaloriza a reeleição de Marcelo, com 60,70% dos votos. Em tempo de pandemia foi votar quem quis e pôde, dentro das circunstâncias, e adivinhando-se que o Chefe de Estado passava neste teste.

Em vez de se estar a martirizar os cidadãos porque ficam em casa (desta vez literalmente, devido ao confinamento), exige-se uma actualização do sistema eleitoral. A possibilidade do voto em mobilidade e antecipado, assim como ir buscar o voto a casa das pessoas com covid-19, já foi um passo positivo, mas para trás ficaram todos os emigrantes, cidadãos nacionais, que podiam e deviam ter acesso a um voto por correspondência. E neste mundo (quase) digital o voto electrónico, presencial e não presencial, é desejado pela maioria dos eleitores, com base em inquéritos efectuados.

Em todo o mundo, mais de 30 países já utilizam urnas electrónicas, em vez do boletim em papel, como o Brasil, Suíça, Canadá, EUA, Austrália, México, Peru, Japão, Coreia do Sul e até a Índia.

Em Portugal já foram desenvolvidas quatro experiências de voto electrónico, respectivamente em 1997 e 2001 (autárquicas), 2004 (Parlamento Europeu) e 2005 (legislativas antecipadas), todas elas não vinculativas. E até a experiência de voto electrónico não presencial foi disponibilizada aos eleitores portugueses residentes no estrangeiro mediante a disponibilização de uma plataforma de voto por Internet.

Tanta experiência… e ninguém se chega à frente para concretizar o voto electrónico. E depois assistimos a um boletim de voto impresso que tem um não candidato e todos os partidos a queixaram-se da abstenção. Por estas e por outras é que se chega à discussão do acessório em detrimento do essencial.