Coimbra  26 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Ângulo Inverso: Estamos entregues aos bichos

2 de Outubro 2020

Nações Unidas

Pela primeira vez na história de 75 anos das Nações Unidas, os chefes de Estado, de Governo e Ministros não estiveram presentes para participar no debate anual, com todos os seus discursos pré-gravados, o que levou o secretário-geral a declarar que “num mundo virado de cabeça para baixo”, aquele sala da Assembleia Geral está entre as imagens mais estranhas de todas.

Comparando a situação actual à que se vivia no ano de 1945, ano da fundação da ONU, António Guterres lembrou que “aqueles que construíram as Nações Unidas há 75 anos viveram uma pandemia, uma depressão global, genocídio e guerra mundial” e sublinhou que “aprenderam o custo da discórdia e o valor da unidade”.

Guterres apelou à solidariedade global, dizendo que “o populismo e o nacionalismo falharam tornaram as coisas manifestamente piores” e pintou um quadro pouco optimista, com a covid-19 a revelar ainda mais “as fragilidades do mundo”, com o aumento das desigualdades e a catástrofe climática, a ampliação das divisões sociais e a corrupção galopante.

Perante isso, que disse o presidente dos EUA? Donald Trump transformou o seu discurso num ataque frontal à China, que acusou de ter espalhado o novo coronavírus no mundo e por mentir.

Já o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse que o país é “vítima de uma brutal campanha de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, exaltou a Sputnik V como a “primeira vacina registada” contra a covid-19 no mundo, embora o projecto tenha recebido críticas pela falta de transparência na publicação dos dados das pesquisas e pela velocidade do resultado, considerada incompatível.

O presidente do Irão, Hassan Rohani, criticou em vários momentos a política interna e externa dos Estados Unidos, principal inimigo de Teerã, enquanto o presidente da França criticou a Rússia pelo envenenamento de Alexei Navalny, principal opositor de Putin.

Com todos estes vírus, o covid-19 até parece um “menino de coro” e pode continuar a passear tranquilamente…