Coimbra  23 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Ângulo Inverso: Em tempo de alterações

25 de Setembro 2020

Os tempos que correm não estão fáceis, como dizem alguns. São as alterações comportamentais em todas as áreas da sociedade devido à pandemia de covid-19, a que se juntam as alterações climáticas.

No passado fim-de-semana, já no final deste Verão, parece ter passado relativamente despercebido o que já é considerado um fenómeno meteorológico único, a designada tempestade subtropical Alpha, que assolou parte de Portugal e também se estendeu a Espanha.

Os especialistas chamam a atenção porque, com este Alpha, parece haver um movimento crescente de fenómenos típicos da costa americana cada vez mais às portas da Europa. Este ultrapassou o Pablo, até agora o ciclone tropical mais oriental da história, com o recorde anterior a pertencer ao furacão Vince, que no mesmo ano de 2005 também alcançou a Península Ibérica, mas já como depressão tropical.

A isto soma-se um estudo publicado na revista The Cryosphere, de cientistas de cerca de 40 institutos, onde referem que o nível do mar poderá subir até 39 centímetros, até ao final do século, devido ao degelo das calotes glaciares provocado pelo aquecimento do planeta. Num segundo cenário, de forte redução das emissões de gases com efeito de estufa, o degelo na Gronelândia poderá aumentar o nível das águas em três centímetros.

Não está fora deste enquadramento o secretário-geral da ONU, António Guterres, que declarou estar o mundo “perdido” caso não exista uma união de forças entre os Estados para combater as alterações climáticas, afirmando, ainda, que a actual pandemia ilustra os danos provocados pela desunião.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, várias reuniões internacionais sobre questões ambientais que estavam agendadas para este ano tiveram de ser adiadas, suscitando receios de novos atrasos na luta contra as alterações climáticas.