Coimbra  28 de Outubro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Ângulo Inverso: Cavalgando as autárquicas

30 de Setembro 2021

No domingo realizaram-se as eleições autárquicas para escolher os que durante quatro anos vão estar nas Câmaras e Assembleias de 308 concelhos e nos órgãos das 3.092 Freguesias. O Poder Local é o que está mais próximo das pessoas e trata desde o problema de uma rua, de um bairro, até ao conjunto da aldeia, da vila, da cidade e a totalidade do município, seja pequeno ou enorme.

No momento ideal para cada terra avaliar o que foi feito e projectar o futuro, através das propostas dos que se apresentaram a eleições, os líderes nacionais das forças políticas aparecem e partidarizam tudo.

Claro que desejam a vitória em cada freguesia e em cada concelho, mas porque isso somado lhes vai proporcionar um resultado nacional, para tirarem partido disso, quer seja em termos partidários, quer seja a nível governativo.

Sempre pressionado pelas acusações de eleitoralismo feitas à esquerda e à direita, o líder do Governo anunciou, no penúltimo dia da campanha autárquica, a entrada na última fase do desconfinamento a 1 de Outubro. Mas garante que o Executivo estava apenas a cumprir o que já estava previsto

Para o líder do PSD, Rui Rio, utilizou-se “medidas do Governo para beneficiar o PS” eleitoralmente, frisando que “cada um joga com as armas que tem, em função dos seus parâmetros éticos”. A coordenadora do BE, Catarina Martins, considerou que “fazer das questões da pandemia um braço de ferro eleitoral é um absoluto erro”, enquanto o líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, acusou o Governo de “guardar este rebuçadozinho para dar aos portugueses”.

A “cereja no topo do bolo” foi o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, que declarou: “Nós ganhámos com a covid-19. E ganhámos porquê? Porque Portugal foi um país que, tendo as suas dificuldades, enfrentou a covid-19 com bastante êxito”.

Agora que está na moda falar em moedas, foi Jerónimo de Sousa que lhe deu troco: “Dizer que Portugal é uma marca, tendo em conta a covid-19, é no mínimo descuidado. Uma marca onde houve tanto doente e tanto morto nunca é uma boa marca”.

Somos também levados a concordar com Rui Rio: “À medida que a campanha avança e chega ao fim, [os socialistas] começam a não ter muito para dizer e a inventar, pelo que já começa a reinar o absurdo”.