Coimbra  19 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Ângulo Inverso: Atenção, está a ser visto

8 de Novembro 2019

web summit

“Muitas empresas e governos aproveitam-se de um modelo de negócios que é legal para reunirem dados dos cidadãos, investigarem vidas privadas e manipularem a população. Um sistema que torna a população vulnerável para benefício dos privilegiados. Legalizamos o abuso das pessoas”.

Estas fortes declarações, feitas por videoconferência na Web Summit, a partir da Rússia, são de Edward Snowden, que revelou uma das facetas negras das tecnologias de informação quando, em 2013, expôs programas de cibervigilância (emails, SMS, chamadas) em larga escala levados a cabo pelos EUA.

Segundo Snowden, “a recolha de informação e a vigilância acontecia de forma completamente diferente”, referindo-se aos tempos em que as autoridades vigiavam apenas “pessoas específicas”. “Em vez disso, começaram a observar toda a gente, em todo o lado, a toda a hora” e, actualmente, ao nível tecnológico, assiste-se à criação de um novo “registo permanente”, mesmo antes de as pessoas infringirem a lei.

A Web Summit começou com o lado mais negro da tecnologia: “O que se faz quando as mais poderosas instituições da sociedade são as menos responsabilizáveis”? Para Snowden, “os dados não são inofensivos nem abstractos quando se trata de pessoas (…). São as pessoas que estão a ser exploradas e manipuladas, não os dados”.

Para Brittany Kaiser, a antiga directora de estratégia de negócio da Cambridge Analytica, os cidadãos estão hoje tão desprotegidos como em 2016, ano em que a empresa de consultoria política usou dados dos utilizadores do Facebook para influenciar as eleições norte-americanas.

Perante tudo o que se vai sabendo, as placas a indicarem que ao entramos num local estamos a ser filmados… é uma brincadeira de crianças.

 

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