Coimbra  17 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Ângulo Inverso: Ainda há medo de Salazar

20 de Setembro 2019

Museu Salazar

A instalação de um “Museu de Salazar” em Santa Comba Dão tem causado arrepios na pele e motivado inúmeras opiniões contrárias e até petições.

Depois de quase tantos anos de democracia como de ditadura, os pratos da balança ainda não estão equilibrados e as memórias passadas ainda estão vivas, até por quem as viveu.

A ideia de criar um Centro Interpretativo do Estado Novo no Vimieiro, terra natal de António Oliveira Salazar, foi logo classificada, por quem não leu uma linha do projecto, como “Museu de Salazar”.

A política dos bitaites meteu-se logo numa área científica, apreciando pela rama e ignorando a raiz. Trata-se de um projecto do insuspeito e respeitado Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) da Universidade de Coimbra.

O Centro de Interpretação do Estado Novo estará integrado na Rede de Centros de Interpretação de História e Memória Política da Primeira República e do Estado Novo, em cinco concelhos da região Centro, com consultoria científica do CEIS20.

Conforme esclarece João Paulo Avelãs Nunes, um dos coordenadores científicos do projecto e também vice-coordenador do CEIS20, ao contrário de outros espaços, como a Casa-Museu Aristides de Sousa Mendes, o do Vimieiro “nunca será uma casa-museu”.

Segundo o historiador com vários trabalhos publicados em torno do Estado Novo, o Centro de Interpretação vai abordar todo o período entre 1926 (quando se instaura a ditadura militar) e 1974, caracterizando o regime, comparando-o com outras “soluções políticas ditatoriais na Europa e no mundo” naquele período, sejam elas ditaduras de tipo fascista ou de tipo comunista.

Depois destes esclarecimentos – para quem os quis ouvir e não é sectário -, a quem interessa continuar a agitar o “papão”?

 

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