Coimbra  4 de Dezembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Luís Santos

Ângulo Inverso: A crise política paga-se

22 de Outubro 2021

Anualmente, quando chega a altura de apreciar o Orçamento de Estado (OE), a cena é sempre a mesma, quando existe um Governo sem maioria no Parlamento. A oposição a opor-se, como é seu dever, e o Executivo a tentar fazer passar as suas propostas.

Também manda a tradição que se um Orçamento de Estado for rejeitado abre-se uma crise política e o Presidente da República dissolva o Parlamento e convoque eleições. Já aconteceu, mas deveria haver, antes, uma a rejeição de um voto de confiança, ou a aprovação de uma rejeição ao Governo.

O que está em causa é (alguns) partidos que desejam ver as suas propostas incluídas no OE, para agradarem ao seu eleitorado, como lhes compete, e o Governo tentar encolher a mão para dar o menos possível. A isto deveria-se chamar negociação, que significa chegar-se a um entendimento, e não um mero toma lá e dá cá, para eu poder dizer que venci. Todos devem sair a ganhar, principalmente os cidadãos deste país.

O ministro das Finanças diz que “a estimativa de crescimento para 2022 vai ser a mais alta das últimas décadas“. É verdade. O mais recente que encontramos para uma taxa de crescimento real acima dos 5,5% é 1990. Esqueceu-se de referir que quedas do PIB superiores a 8%, como aconteceu em 2020, não há memória, como nota Vera Gouvia Barros, no Eco.

Os partidos de esquerda puxam pelo lado onde têm mais implantação, nomeadamente ao nível da Administração Pública. Mais dinheiro para a Saúde (e todos a queremos melhor), aumento de salários, crescimento do salário mínimo, e melhores pensões (muitas pessoas ainda estão abaixo do limiar de sobrevivência).

No PSD, o principal assunto foi o da reunião da bancada parlamentar, que ficou marcada por algumas críticas à ausência do presidente do partido, Rui Rio, numa discussão sobre o Orçamento do Estado para 2022 e pela demora do partido em anunciar o voto contra.

O Presidente da República, que não quer ficar com o menino nos braços, afirma que “a faca e o queijo estão nas mãos dos partidos” e quis ser preventivo ao avisar que um chumbo do Orçamento provavelmente conduzirá a eleições antecipadas.

Os partidos podem escolher, se querem fazer teatro, mais um número político e mais um campanha eleitoral. Os portugueses responderão a seguir.