Coimbra  25 de Outubro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Madalena Abreu

Agosto e algumas dores

4 de Agosto 2021

Na última reunião camarária de Julho já me sentia com alguma tristeza, mal sabendo eu que nos espreitava um Agosto escurecido. E apresentei alguns desses desapontamentos, aos quais chamei de dores. Muito embora sejam umas dores que tocam a irritação profunda, de quem vai vendo uma cidade que se afunda. Afunda lentamente e por tantos motivos, razões, inações e/ou açõezinhas. Deixo aqui alguns desses pontos.

1ª dor: As freguesias agonizantes.

Esta Câmara continua a atrasar os pagamento das obras nas Freguesias e Uniões de Freguesia, marcando assim o passo numa marcha agonizante (exclusiva competência desta Autarquia nestas obras protocoladas: marcha com passo marcado por esta Câmara).

União de Freguesias de Assafarge e Antanhol:

  • obras de 2020 receberam apenas as verbas respeitantes a duas obras e só neste mês de Julho.
  • obras de 2021 ainda não receberam qualquer verba

União de Freguesias de Coimbra

  • Verbas em dívida ascendem a maãois de meio milhão, ou seja 552.000 euros.
  • 123000 por ano, sendo que 2018 foram 133000, mais 50000 que vinham do mandato anterior.
  • A única obra executada ainda não foi paga.

União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas também regista verbas atrasadas.

Freguesia de Santo António dos Olivais:

  • Verbas em dívida ascendem a mais de 300.000 euros

Esta freguesia pergunta o que se passa com o Departamento de Apoio às Freguesias. Não há técnicos, ou estes não conseguem obter respostas do presidente para concluírem os projetos de obras que pertencem ao protocolo a C.M.C e as freguesias?

2ª dor: Tarda a caminhada na Calçada de Santa Isabel

Continua aos solavancos e revestida de episódios dolorosos a empreitada: “Caminhos Pedonais de Santa Clara/Calçada de Santa Isabel” (PEDU), como já falado na última reunião deste executivo.

Esta Autarquia teima em manter os processos presos aos procedimentos do costume como o critério de adjudicação onde só conta o preço mais baixo incentivando continuamente obras interrompidas e gerindo por reação como é neste caso a sombra que paira da posse administrativa da obra, contando a história da Câmara como vítima. Nestas últimas duas semanas também foi visitando a obra e não posso deixar de ainda notar que as pedras que pude observar no local são de granito azul. Mas ali encontramos pavimento em lajeado de calcário, e castanho.

3ª dor: Coimbra perde os grandes projetos de investimento.

Coimbra é conhecida como a cidade de costas voltadas ao desenvolvimento empresarial. Coimbra deve urgentemente atrair grande projetos de investimento. Sempre o deveria ter feito mas é mais urgente que nunca face à tragédia dos efeitos da pandemia sobre a economia.

Já por sua vez, hoje na reunião do executivo da Câmara de Braga é votada uma proposta para que os investimentos sejam classificados como de «interesse público», por força da sua importância «estratégica» e pelo contributo que aportam à «valorização económica do concelho.

Proponho assim a criação da Plataforma PiM Projectos de Interesse Municipal e Um Diretor(a). A ser instalado no S. Francisco. Trata-se de trabalho proactivo no terreno de procura ativa e profissional de grandes investidores. Não podemos continuar estacionados na 3ªa divisão, apenas com um Regulamento como o Coimbra Investe.

4ª dor: “Não tenho dinheiro para comprar casa em Coimbra.”

Comprar casa é 26% mais caro em Coimbra do que em Braga, e também mais caro do que em Guimarães ou Leiria. Se olharmos para os dados do Valor mediano das vendas por m² de alojamentos familiares (€).

Braga tem a habitação mais barata entre as maiores cidades do país, Diário do Minho de 18 de Julho. Esta notícia surge para gaudio dos bracarenses após apresentação Das Estatísticas de Preços da Habitação do INE para os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes.

5ª dor: “Estão a esvaziar os Covões.”

Os dias avançam e a perda da importância dos Covões afigura-se irreversível. Estranhamente parece que todos consideram fundamental travar o esvaziamento do Hospital dos Covões, até quem exerce cargos de responsabilidade política do partido da governação. E até há quem defende que volte a autonomizar-se e que se reverta a fusão atual.

É fundamental recordar que os defensores da autonomia do Hospital dos Covões, que em petição à Assembleia da República (AR), reclamaram também a reposição da anterior capacidade instalada, contam com o apoio unânime da comissão parlamentar da saúde.

A finalizar quero desejar a todos os leitores um muito bom mês de Agosto. Sejamos fortes e cheios de esperança: com mais ou menos vírus mas com a garra de agarrar a vida. E o futuro promissor desta cidade fantástica que é a nossa Coimbra!

* Vereadora do PSD