Coimbra  26 de Maio de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Alírio

Abril sempre!

26 de Abril 2019

Um Portugal livre, democrático e mais justo – foi este o mote da revolução de Abril de 74.

Bonita idade! 45 anos… de liberdade! Mas também, 45 anos em que os portugueses percorreram um caminho difícil…

Hoje todos falam de crise, mas não há crise, nem crises, existe sim uma mutação.

Não tanto da sociedade mas da civilização. A globalização é a nova era que vivemos.

Vivemos no meio de um embuste enorme. Assemelha-se a um quase mundo desaparecido que algumas políticas artificiais pretendem imortalizar. O nosso próprio conceito de trabalho mudou. Em consequência até o de desemprego se alterou. Em torno destes, existem políticas, nem sempre com substância. Diria até, que há mesmo muitas vidas já destruídas e que passaram a estar destinadas à sua quase aniquilação.

Por vezes, deparamo-nos com a tentativa continuada de tentar impor os sistemas de uma sociedade caduca, para que fique despercebida uma nova forma de civilização já a despontar ao “virar da esquina”, na qual poucos desempenharam acção.

A extinção do próprio trabalho pode passar por um simples “passe de mágica” e até pela primeira vez na História, o conjunto dos seres humanos poderá ser cada vez menos necessário para o reduzido número daqueles que pretendem modelar a economia e deter o poder.

Mas, em Portugal, os valores consagrados e nascidos do 25 de Abril de 1974, existem e existirão sempre. Jamais morrem, adaptam-se.

E todos devemos recordar esse 25 de Abril de 1974 porque nos abriu outras portas, porque supostamente trouxe-nos qualidade de vida, porque supostamente nos trouxe outros horizontes e ainda permitiu passar a fronteira da Europa que nos ampara há muitos e muitos anos. Sem a Europa, o nosso atraso, a nossa etiqueta de país “terceiro-mundista” seria ainda uma realidade.

Mas também o 25 de Abril, deu-nos a felicidade de se poder escrever sem qualquer censura, livre de preconceito, sem lápis azul! O tal 25 de Abril, aquele que nos deu o pleno direito à opinião, trouxe-nos também a paz. Sim… a paz. Antes andávamos em guerra. O serviço militar era de carácter obrigatório. Muitos foram para o Ultramar lutar. E no Ultramar, muitos lá ficaram. O regime existente estava em fim de linha… A revolta dos militares deu-se. A democracia aconteceu!

E no entanto, mesmo com liberdade de expressão, esse bem, nem sempre assertivo ou construtivo, alguns bem tentam dizer, ou mesmo escrever o certo, não se importando nada de, “disparando em todas as direcções”, mostrarem o quanto desejam reinar, dividindo. Não é esse o caminho. Não foi esse o caminho

Esquecem-se outros que o primado da economia transformou-se em liberalismo.

Hoje nada vale, estamos numa época em que saber fazer a custo diminuto, acaba por ser o único critério que realmente conta, com as consequências que daí­ advêm.

Não foi essa a lição de Abril.

Onde está o Estado Social? O Estado Providência? E a Economia Social? – essa utopia praticada.

Temos todos a obrigação de preservar um Portugal de cariz social e humanista. É isto que se espera em tempos de futuro.

Lembrando o passado, projectando o futuro e construindo o presente, este é o caminho de Portugal…

Viva o 25 de Abril sempre! Viva Portugal!

(*) Gestor e investigador