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Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Abril: Esperanças mil…

26 de Abril 2018

Abril, o mês, cumpre-se, todos os anos.

Abril, a revolução, a dos cravos, está por fazer.

Abril, a da queda do regime da chamada outra senhora, esboroou-se, porque se eternizou, acabando por se moer com e no tempo.

Abril, o do Movimento das Forças Armadas, o MFA, trouxe a liberdade e uma nova esperança para Portugal e, para nós, portugueses.

Abril, depois da fase da recolha dos militares aos quartéis, para que os partidos e os portugueses pudessem encarregar-se da vida nacional, tem já uns 40 anos.

Abril, o intenção de um futuro mais florido em esperanças, de um caminho capaz de trazer melhorias para os mais fracos, famintos, enjeitados, com pouca instrução, com fraca educação, com diminuída cultura e com falta de cuidados básicos na infância, na juventude e na velhice, está por construir.

Abril, o da democracia, está por cumprir em muita latitude e longitude dessa maneira de governar e de gerir o país.

Abril, o que trouxe espectativas a uma fatia do Povo que esperava mais participação na vida colectiva, para escrever a história e prestar a sua condição de cidadão/ã, ficou na gaveta. Está entreaberta, é certo, mas tem de ser escancarada.

Abril, carreou muita novidade e transportou muita coisa boa, mas está por realizar tanta forma de conseguirmos mais felicidades e de atingirmos uma vida digna, que me atrevia a dizer que precisamos de dar novo rumo a Abril… Não o que pretendia manietar com conceitos anquilosados pelos tempos e pela nova Era.

Abril, ficou apossado dos partidos que se entrincheiraram na Assembleia da República, onde qual arena, tipo Coliseu de Roma, se sacrificam planos e projectos com e de qualidade para implantar estruturas, políticas e outros meios que promovam o desenvolvimento e o progresso sustentado.

Abril, ficou refém de deputados obtusos e pouco dignos da sua representação em tão nobre casa das leis e do traçar de Programas que se arroguem de trazer mais pão, mais qualidade de vida, mais sobrevivência, mais saúde, mais educação, mais harmonia social e mais equidade humana.

Abril, também trouxe fundos europeus, porque passámos a pertencer a esse ornograma administrativo-político-social-económico-financeiro-estratégico do velho continente.

Abril, ainda nos presenteou com tróikas para nos resgatar, já por três vezes, de uma possível banca rota.

Abril, aqui e ali, por força e incongruência dos sindicatos, as correias de transmissão dos partidos do poder, desmantelou muito do nosso tecido produtivo, porque os patrões são uns cafajestes… Se não houver iniciativa privada, acabamos esfacelados pelo poder estatal, de má memória.

Abril, e eu que era um jovem na altura, alimentou-me e a milhões de portugueses as esperanças de uma vida sem guerra nas colónias, sem censura, sem ter de falar baixinho, sem ter medos e sem ter razões de queixa do sistema de justiça, de saúde e de educação, principalmente.

Abril, não pode continuar a ser só para quem pratica política. Abril, tem de ser para todos. Abril, tem de saber aplicar as leis para que a democracia seja transversal, e aconteça em qualquer lugar e a todo o compatriota.

Abril, é o mês das águas mil. Mas Abril tem de ser o Projecto Colectivo de uma Nova Era Nacional que teima em não ser cumprido em plenitude, a bem da dignidade dos portugueses.

Abril, não pode ter negociatas, como outrora; não pode ter vendilhões; não pode defender quem, através da corrupção, esmague o País e nos obrigue a pagar asneiras; Abril, não pode ter padrinhos, afilhados e sobrinhos, em que o regime anterior se sustentava; Abril, jamais poderá alimentar uma ou outra classe que tem hipóteses de se sentar na mesa do orçamento.

Abril, tem de estar em todo o lado e espalhado por todo o Portugal. Aproveitemos o sol de Abril para colhermos frutos que a Pátria e os Portugueses sabem oferecer, porque temos coração nobre e decente.

Abril, enquanto não se cumprir, como ideia, como ideal, como desígnio e como função para Portugal, será sempre um terreiro político-partidário dos barões que o comandam e que dele se servem.

Abril, é servir e é estar forjado para manifestar vontades de cumprir PORTUGAL.

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