Coimbra  18 de Outubro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Jaime Ramos

A ressurreição de Rui Rio em eleições desautarquizadas

30 de Setembro 2021

Os eleitores foram manipulados e os candidatos menorizados pela aliança entre líderes partidários e a comunicação social.

O Poder Local foi nacionalizado, apropriado pela lógica centralista da capital, favorecendo a abstenção e o depauperamento do regime.

As notícias sobre a Covid e o futebol associaram-se à vontade do líder do PS de esvaziar as eleições locais, transformando-as numas legislativas intercalares, que legitimassem o absolutismo socialista.

António Costa foi claro perdedor perante as expectativas criadas e Rui Rio, crucificado na comunicação social, teve a sua ressurreição nos resultados. O PCP continua em declínio.

O Primeiro-ministro contou com a preciosa colaboração dos líderes dos pequenos partidos que, não tendo representatividade local, como o Chega, Bloco de Esquerda, Iniciativa Liberal, se movimentam com o objetivo de conseguir visibilidade nacional, absolutamente divorciados dos interesses locais. A comunicação social nacional patrocinou o desprezo pelos problemas do País real.

O CDS, PCP e o PSD foram arrastados perante a lógica eleitoralista e populista de António Costa, transformado num Pai Natal demagogo, a distribuir o dinheiro da Europa, do PRR.

Ao lado dos candidatos do PS, fomentou a ideia da existência de compadrio e nepotismo: os investimentos irão preferencialmente para os municípios onde o povo escolhe socialistas; os outros que se lixem! A história do Hospital Compaixão é exemplo do sectarismo instalado.

Transformado em Maduro venezuelano, o Primeiro-ministro, capaz de dizer uma verdade e o seu contrário com a mesma inflamada convicção, teve tempo para ameaçar uma das mais importantes empresas nacionais, que, segundo parece, se limita a desenvolver a estratégia ambiental, energética, do Governo.

Depois de Sócrates temos agora um líder socialista de facção que tem como estratégia a captura do poder e a apropriação do Estado, bom para os partidários, péssimo para o futuro de Portugal.

Deixo breves apontamentos sobre a Região.

A CIM de Coimbra é hoje uma das regiões menos dinâmicas do País, com demografia e economia em perda.

Os resultados eleitorais confirmaram algumas expectativas, mas houve grandes surpresas.

Manuel Machado sofreu o desgaste de décadas de poder, com resultados medíocres para a cidade e região.

A derrota do PS era previsível quando todos os partidos de centro-direita se uniram numa coligação onde a soma potencial de votantes garantia a vitória.

Maló de Abreu e Rui Rio são os vencedores da estratégia, quando marginalizaram Nuno Freitas, para apostar no candidato que impediu a derrota de Manuel Machado em 2017. Foi a vitória do pragmatismo partidário associado à ambição persistente de José Manuel Silva.

Pelo distrito

Na Figueira a notoriedade de Santana Lopes, a mediatização nacional da sua candidatura, a dinâmica do seu anterior mandato, o marasmo recente da cidade agravado pela crise no turismo originada pela epidemia, tornou-o vencedor antecipado. Não fora esta candidatura inesperada e Pedro Machado, o grande derrotado, teria sido o provável vencedor. Santana Lopes, depois do desastre no Aliança, renasce das cinzas.

Em Miranda do Corvo – um dos dois concelhos da CIM com sociologia eleitoral mais socialista – não houve surpresa a não ser a ação de uns energúmenos cobardes, no penúltimo dia da campanha, na povoação Moinhos, que decidiram vandalizar e furar os pneus de uma dezena de viaturas de apoiantes do PSD. É lamentável que o fanatismo recorra a estes atos de terrorismo. Esperamos que a GNR e a PJ consigam identificar os autores dos crimes.

Em Góis a pulverização, devido aos independentes, beneficiou o PSD que assim recuperou um concelho que tem sido dominado pelo PS

Na Pampilhosa da Serra Jorge Custódio dá continuidade à supremacia do PSD, sobrevivendo ao limite de mandatos de José Brito. Desejo-lhe, bem como a António Sampaio de Góis, muita força para que consiga a solidariedade da CCRC, CIM e do Governo para conseguirem enfrentar os custos da interioridade.

Em Penela o PSD não sobreviveu ao abandono precoce de Luís Matias, talvez o Presidente mais criativo da CIM. Este resultado foi uma enorme surpresa tal como Penacova onde o PS sofreu um importante desaire.

A derrota socialista na Mealhada, mas que venceu em Mortágua, mantém o PS com maioria na CIM Coimbra, mesmo tendo perdido nos três maiores municípios, com a população mais urbana.

Importa agora pensar no futuro. A região tem de inverter o seu declínio.

O PS, tendo dez dos 19 municípios, deve ter a coragem de perceber que os Presidentes dos três maiores municípios, Coimbra, Figueira e Cantanhede, devem liderar uma política de solidariedade regional, com especial atenção aos concelhos do Pinhal Interior, que têm sido abandonados pelo Estado.

A CIM Coimbra deve assumir uma postura reivindicativa, abandonando a mendicidade do respeitinho, obrigando o Governo a cumprir promessas. A CIM deve definir uma estratégia comum, dirigida para o crescimento e desenvolvimento, vocacionada para captar capitais, novas empresas, mais e melhor emprego.

Os autarcas devem exigir que o Terreiro do Paço encare a CIM Coimbra como uma verdadeira área metropolitana, que não pode continuar condenada a perder serviços públicos e população.